Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão Jornalista

Os pés do Odysseas, a gravata do Vitória e as rodas do Eliseu

Do jogo de sábado com o Boavista (além da exibição e do resultado igualmente agradáveis) e do jogo de terça-feira com os gregos do PAOK (além da exibição agradável e do resultado desagradável) terão surgido as primeiras ideias gerais sobre este Benfica que o seu treinador preparou para um exigente arranque de temporada. Odysseas Vlachodimos, por exemplo, até poderá ser melhor do que Varela com as mãos mas é muito pior do que Ederson com os pés. No capítulo das ideias gerais, fiquemo-nos para já pelo guarda-redes.

Nesta terceira semana de Agosto há uma dúvida existencial que sobressalta os adeptos do Benfica: a gravata do Rui Vitória. Sim ou não? É que não depende sequer do gosto de cada um nem, muito menos, de questão de moda. Depende única e exclusivamente dos resultados da equipa. Se hoje o Benfica vencer o seu velho rival e se na próxima quarta-feira sair de Salónica com a qualificação garantida para a Liga dos Campeões, a gravata do Rui Vitória será aprovada até pelos adeptos mais exigentes. O futebol é tão simples quanto isto.

Provavelmente terão reparado que o Eliseu já não é jogador do Benfica. Lê-se nos jornais e nas redes sociais que os adeptos do Benfica não aceitam não ter havido uma cerimónia condigna de despedida no que a Eliseu diz respeito. Eliseu foi três vezes campeão nacional de águia ao peito ao que somou uma Supertaça e uma Taça da Liga. E foi também campeão continental ao serviço da seleção no Europeu de 2016. Honrarias e títulos não faltaram ao açoriano, o homem que, de mota, fez com que a festa do tetra-campeonato desse a volta ao mundo pela sua singularidade, habilidade, poder de aceleração e ousadia sobre duas rodas. Inesquecível, Eliseu. Por este conjunto de razões, os protestos dos benfiquistas pela inexistência de uma ocasião solene e oficial de agradecimento a Eliseu justificam-se, ainda assim, bastante mais do que os protestos que Eliseu teve de suportar quando os mesmos adeptos, que agora o querem aplaudir, o castigavam sem dó nem piedade à menor falha em campo. Vá lá compreender-se a volubilidade das emoções nas bancadas.

Ramires pode estar de volta ao Benfica com um contrato de 3 milhões de euros por ano. Em termos contabilísticos ao alcance de todos os públicos é de três Cristinas Ferreiras por ano o contrato que o Benfica pretende oferecer ao internacional brasileiro que foi peça mais do que decisiva na conquista do título de 2009/2010. Merece. Merecem, aliás. Outra boa notícia é a de que o Benfica conseguiu finalmente comprar Gabriel ao Leganés pelo preço de 8 Cristinas Ferreiras. O clube espanhol queria 15 Cristinas pelo seu jogador mas não teve sorte nenhuma.

Que estranho é para as pessoas das gerações mais antigas isto de o Belenenses passar a ser referido como o "clube do Jamor" em vez de "o clube do Restelo". É certo que antes de ser como foi "o clube do Restelo" já tinha sido "o clube das Salésias" para as gerações muito mais antigas. Longa vida ao verdadeiro Belenenses seja lá onde for a sua casa.

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