Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão

Pinto da Costa e os árbitros

Na noite de temporal da última quinta-feira seguindo através da televisão a segunda meia-final (essa mesmo!) da Taça da Liga quando chegou o intervalo, pondo diligentemente de lado o bloco onde registara em gatafunhos muito pessoais os momentos mais vivos dos primeiros 45 minutos do jogo – o golo precoce de Salvio, a não-rendição do Moreirense e, sobretudo, uma quantidade de conclusões péssimas do ataque do Benfica –, voltei a pegar, por desfastio, no livro que Tostão publicou no ano passado, "Tempos vividos, sonhados e perdidos", e que estava ali à mão de semear. Tostão, isto para os mais novos, foi um jogador genial, um dos artífices daquela fabulosa seleção do Brasil que venceu o Mundial de 1970. Terminou muito cedo a carreira, formou-se em medicina e dedicou-se ao ensino e à escrita. O Dr. Eduardo Gonçalves de Andrade sempre fez e continua a fazer tudo bem feito, com bola e sem bola.
Folheando distraidamente, confesso, o tal livro de Tostão – os desplantes da equipa do Benfica na primeira parte de Faro impediam, por contágio, qualquer pessoa de se concentrar numa atividade tão nobre como a leitura – fui parar à evocação de um Venezuela-Brasil de 1969, um jogo de qualificação para o Mundial de México, dando com esta maravilhosa historieta sobre João Saldanha, jornalista e selecionador do Brasil: "Contra a Venezuela, em Caracas, no primeiro tempo perdemos uns dez gols. Irritado, Saldanha nos castigou, proibindo-nos de entrar no vestuário durante o intervalo. Voltámos e gánhamos o jogo por 5-0. Eu fiz três gols e Pelé fez dois." Não se pode deixar de sorrir perante estas linhas mesmo quando se está a ganhar por 1-0 ao Moreirense com uma exibição lamentavelmente descontraída e, por isso mesmo, nada prometedora.

Deveria o treinador do Benfica fazer ao intervalo o mesmo aos seus jogadores que Saldanha fez às estrelas do ‘escrete’ há quase meio século? Não, nem o nosso Rui Vitória é Saldanha para uma coisa destas nem os tempos são os mesmos… E, diligentemente, fechando o livro, trocando-o pelo bloco de notas, preparei-me para os segundos 45 minutos. Antes não tivesse fechado o livro.

O presidente do Porto veio esta semana a públco recordar o processo do Apito Dourado de que saiu ileso segundo a sua interpretação dos factos. No entanto, enquanto houver ‘YouTube’ será difícil que a sua opinião prevaleça sobre as demais. Ontem, hoje e, pior ainda, por toda a posteridade.

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