Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão Jornalista

Proença sem apito é zero

O Benfica assinou com a NOS um contrato que lhe garante uma receita de 40 milhões de euros por temporada durante 10 anos. Isto rende-lhe muitíssimo mais do que, por exemplo, vender Taarabt ao quilo na próxima abertura do mercado. E rende-lhe praticamente o mesmo se visse a sua equipa chegar todos os anos à final da Liga dos Campeões durante uma década a fio.

Torna-se evidente que se trata de um supremo êxito financeiro laboriosamente construído de raiz. Veremos ao longo do tempo se um correspondente êxito estratégico, não menos importante para o Benfica, acompanha esta pulverização dos alicerces em que assentava o remediado império dos direitos de transmissão dos jogos de futebol.

Garantem os especialistas que a situação acabará por beneficiar todos. O negócio do Benfica com a NOS não significa, portanto, nenhum vendaval de iniquidades. Já voou, no entanto, a bandeira da centralização dos direitos televisivos tão garbosamente empunhada por Pedro Proença durante a campanha eleitoral para a Liga de Clubes. Era de pano-cru, farpada e voou, é verdade que sim. Mas o presidente da Liga continua agarrado à trémula haste da sua bandeirinha que foi para o Céu enquanto se prepara, inevitavelmente, para procurar na Terra a benevolência possível no olhar daqueles que tão confiadamente o elegeram para o cargo.

Morto o assunto da ‘centralização’, é de suspeitar que a notícia da eleição de Pedro Proença para presidente da Liga foi muito exagerada. Tendo em conta, principalmente, que recebeu aval político e suporte anímico do Porto e do Sporting, emblemas que contavam com a ‘modernização’ prometida pelo seu candidato mas não com uma coisa destas. Julgaram, porventura, que o presidente da Liga ia resolver apitando as questões ‘prementes’ do futebol português como o fazia quando era árbitro e com a maior das facilidades. Mas não é o que se está a ver. Proença sem apito, para já, é zero.

Com o seu futebol ponderado, o Benfica ganhou ontem merecidamente à Académica. Os rivais do Benfica podem chorar os milhões que vão chegar à Luz por via do negócio com a NOS. Confesso-me, no entanto, mais sensível aos lamentos que o presidente do Águias da Musgueira tornou públicos esta semana. O Benfica terá ficado a dever ao clube de origem de Renato Sanches 25 bolas de futebol. Deem lá as bolas ao Águias da Musgueira. É que isto nem se discute, não é?

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