Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão

Se jogarem como cantam, estamos tramados

O Benfica este ano não tem pré-época. Aquilo a que se convencionou chamar de pré-época e que abraça um conjunto pueril de joguinhos sem outro interesse para o público afeto que não seja o de espreitar os 'reforços' ou de constatar se as caras conhecidas se reapresentam com alegria e boa disposição. Este agosto, tem o Benfica de disputar duas eliminatórias de acesso à Liga dos Campeões - quatro jogos - mais os jogos da nossa Liga que arranca no segundo fim de semana do suposto mês dos calores. Perante os desafios atípicos deste calendário de verão, todos os joguinhos passam obrigatoriamente a jogões, com o maior interesse para a comunidade e para o treinador. Veremos o que acontece esta tarde no importantíssimo encontro com o Sevilha, com julho a aproximar-se do fim e uma catrefada de opções a caminho. O único momento verdadeiramente de 'pré-época' neste Benfica de 2018/19 já aconteceu e foi amplamente divulgado pelo clube. Tratou-se de um interlúdio musical preenchido pelos 'reforços' no ambiente descontraído do estágio. Se jogarem como cantam, estamos tramados.

Sousa Cintra soma e segue. Negoceia com bons modos os regressos dos trânsfugas da equipa de futebol, compete com os rivais em todos os mercados, fornece lições de contenção e bom senso à coletividade, desinspira ódios, ignora as fações, investe ao mais alto nível no reforço das formações das modalidades de pavilhão. Em resumo, um brilharete. Só lhe falta contratar Ricardinho para a equipa de futsal, para o seu consulado transitório se saldar num êxito total face aos agouros da falência técnica.

Por consideração patriótica, os dispensadores de correspondência eletrónica respeitaram o período de nojo a que os obrigava a participação da Seleção Nacional no Mundial da Rússia. Durante um mês e meio não houve emails para ninguém, ou por patriotismo ou porque não lhes estaria devidamente garantido o espaço mediático tendo em conta que havia um Campeonato do Mundo de futebol a decorrer. E com tanta notícia sobre Cristianos e Messis e Modrics e Mbappés e outros que tais, quem se iria ralar com emails? Voltaram agora os mesmos dispensadores de sempre, motivadíssimos com o aproximar da nova temporada futebolística interna, a despejar nos canais informativos mais material bifado a incautos, ou talvez não. Este tema tem-se revelado muito ingrato para quem o quer discutir, ética e jurisdicionalmente, em bases sólidas 100% desprovidas de facciosismo. Enquanto não vierem as autoridades do país dizer-nos, de modo inequívoco, se é falsa a correspondência e verdadeiro o arguido ou se é cristalina a correspondência e de pechisbeque o arguido, não há como chegar a conclusões. Até lá - até ser tudo claro e julgado -, o grito de "prendam-nos!", solto das entranhas da comandita do Apito Dourado, mais parece um relapso de inveja do que outra coisa. É que, cá pelo nosso país, a prisão não é para qualquer um. Isto, sim, foi já provadíssimo.
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