Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão Jornalista

Ser e não ser preciso

O filho do presidente do Conselho de Arbitragem tem tanto direito a ser um jogador de futebol federado como têm os filhos das pessoas que nada têm a ver com apitos. Mesmo sabendo que se fosse ao contrário, se o Benfica tivesse contratado no berço o filho do chefe dos árbitros, já o rancho folclórico da vizinhança teria desatado as vozes numa gritaria em prol da verdade desportiva, nada há a condenar nem, muito menos, por onde suspeitar nesta que foi, até ao momento, a contratação mais sonante do Sporting neste mercado de Verão.

Teóricos das conspirações, descansem, respirem fundo. Não faz sentido que o Sporting tenha dispensado o seu diretor de relações internacionais porque não é preciso tal como não faz sentido que, o mesmo Sporting, tenha contratado o filho do presidente do Conselho de Arbitragem porque é preciso. Nem uma coisa nem outra. Na realidade, o que é preciso é jogar à bola.
Também, garantem agora, é preciso um ‘código de conduta’ para prevenir os nossos governantes de viajarem à pala do futebol com as inerentes mordomias à pala de empresas e de outras instituições como bancos ou escritórios de advogados que negoceiam com o Estado. Nas últimas três décadas desta triste história, constituíram uma obscenidade as viagens do futebol português com governantes de todos os quadrantes na bagagem. "É normal", diziam os organizadores aos ‘desfasados da realidade’ que os questionavam e, dito isto, que era normal, corriam a acender o charuto de mais uma pessoa ‘very’ importante acabadinha de chegar à porta do aeroporto. De muitos, de tantos aeroportos.

Demorou 30 anos a opinião pública a não entender como ‘normal’ este tipo de benesses. Registe-se o progresso. Sobre a urgência do anunciado ‘código de conduta’ para governantes, registe-se a vergonha. O 'código de conduta' que, na base, deveria produzir governantes só lhes chega ao nariz quando os governantes já se apresentam formalmente produzidos. E em funções. É o mundo ao contrário.

O Benfica vai encontrar-se amanhã com dois adversários temíveis. O primeiro é o Sporting de Braga, uma boa equipa que chega à discussão da Supertaça por mérito próprio visto que venceu o Porto com grande clareza na final da Taça de Portugal. O segundo adversário é o convencimento de que a Supertaça não passa de um pró-forma e de que, como aconteceu no ano passado, perdê-la no verão é garantia de uma primavera triunfante. E logo sem André Almeida…

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