Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão Jornalista

Só pode haver festa no Jamor

Amanhã há festa no Jamor. É a final da Taça de Portugal, competição que ocupa o 2.º lugar na hierarquia das importâncias mas que é a competição ‘mais querida’ dos que gostam de futebol. E não é só por causa dos churrascos na mata nem pelas sestas sob o arvoredo antes do apito inicial. É tão querida a Taça de Portugal.

Confesso, sem pudor, que nunca me entristeci com as derrotas do meu clube no Estádio Nacional frente a oponentes mais fracos do ponto de vista orçamental. Vi, ao longo dos anos, o Benfica perder finais da Taça de Portugal para o Boavista, para o Belenenses, para o Vitória de Setúbal e para o Vitória de Guimarães e sempre, nessas ocasiões, me recusei a lamúrias sobre a justiça do resultado, sobre as incidências do jogo ou sobre o malandro do árbitro. O Benfica perdeu? Perdeu, pois. Jogasse mais e marcasse mais golos. Parabéns aos vencedores.

É este o admirável condão da festa. Faz de nós todos, os do público, umas queridezas, quais desportistas a sério, capazes de reconhecer mérito ao adversário – desde que não seja um rival dos ‘grandes’ porque uma coisa assim também seria um abuso de boas maneiras… –, de lhe reconhecer o esforço e a disparidade dos meios e capazes de regressar a casa com uma gentil disposição independentemente do resultado. É isto a Taça. Piqueniques, toca o Hino e futebol.

Dando por certo na tabela final da Liga o 2.º lugar do Sporting – um dos finalistas de amanhã –, a generalidade da imprensa entreteve-se durante uma semana a celebrar "a época quase perfeita" da equipa de Alvalade – singela expressão de Nuno Saraiva, um êxito (a expressão, não o Saraiva) durante uma semana – e entreteve-se também a provocar os benfiquistas com uma dura realidade que, no final, se transformaria num esfumar do sonho para uns e do pesadelo para outros.

Teriam, os da Luz, de fazer figas para que o Sporting batesse amanhã o Desportivo das Aves – o outro finalista do Jamor – se quisessem o apuramento direto para a Liga Europa, a secundária prova continental, tendo em conta que uma vitória do Aves obrigaria a equipa de Rui Vitória aos trabalhos suplementares de uma pré-eliminatória marcada para agosto. Um mês péssimo para estes pormenores competitivos como é do conhecimento geral.

Afinal não vai ser preciso torcer pelo rival histórico. O quadro de resultados da última jornada do campeonato revelou-se perentório e acabou com essas suposições fraturantes. Podem os benfiquistas torcer à vontade pelo Desportivo das Aves como torcerão, é de crer, todos os fãs da modalidade que não sejam apaniguados dos leões. É normal, numa decisão destas, desejar que vença o mais fraco, ou não é? Mas esta final da Taça, por obra de meia centena de hooligans ao serviço de sabe-se lá quem, vai ser diferente em tudo das anteriores. Vaticínios, afetos, desejos, agouros, simpatias, enfim, todos os princípios estão de pernas-para-o-ar.

Como tudo isto deve ser incrível para tanta gente. Distraíram-se, foi o que foi.

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