Floresta de pernas

Leonor Pinhão
Leonor Pinhão Jornalista

Três empreitadas

Em paz, e sem fazer alarde dos seus cometimentos, arrematou o Benfica três empreitadas de monta no exíguo espaço de três dias. Não custará a ninguém de bom senso reconhecer que todas elas se antecipavam como extraordinariamente difíceis e, por isso mesmo, os seus desfechos foram tão bem acolhidos entre os adeptos benfiquistas que, por natureza, são exigentes. A meteórica questão, que a todos encheu de alegria, foi o Benfica ter ido a Guimarães de autocarro vencer o Vitória em jogo a contar para o campeonato e, três dias depois, ter voltado a Guimarães de comboio para vencer novamente o Vitória qualificando-se para a "final four" da Taça da Liga. E no meio disto tudo, e em tão curto intervalo, ainda conseguiu despachar o Taarabt de avião para Génova o que não é, de todo, a flor menor deste pequeno ramalhete.

Tal como os habituais reservistas do Benfica souberam aproveitar a oportunidade que lhes foi dada no último jogo de Guimarães, dando razão a Rui Vitória que não se cansa de dizer que no Benfica "não há primeiras nem segundas linhas", também o departamento de marketing da Luz continua a saber aproveitar a favor do Benfica os melhores insultos e as pândegas desconsiderações que a regular carreira da equipa de futebol sempre vai suscitando entre os seus adversários mais gritantes. Assim, depois do enorme êxito anímico e comercial que foi o lançamento do cachecol do "colinho" já está à venda nos lugares autorizados um novo produto oficial para o frio. Trata-se do cachecol "a culpa é do Benfica" e tudo indica estar à vista novo sucesso de estima e de vendas, naturalmente. Tem muito que se lhe diga e não está ao alcance de todos esta arte de reverter em bom humor e em euros o triste menosprezo, a desconchavada ofensa e os demais produtos oriundos dos cérebros criativos do "inimigo". Que bom sinal dos tempos significaria o risonho lançamento do cachecol "carrega, Carnide!" ou da echarpe "estado lampiónico" para os dias santos. Que não demore.

Ontem o presidente do Futebol Clube do Porto cumpriu a notável soma 12.684 dias (304.416 horas ou 18.264.960 minutos, como preferirem) no exercício da função mas pouco se ligou a este feito porque o presidente do Sporting, que não pode ver nada, demorou apenas 54 minutos a instalar e a negar um black-out e imediatamente, em termos de impacto social, deu cabo da efeméride do colega mais velho. Não se faz.

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