Cartão branco

Luciano Gonçalves
Luciano Gonçalves Presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol

A mais-valia do VAR

Agora que terminou o Mundial, é interessante analisar alguns dados divulgados pela FIFA relativos à arbitragem. A introdução do VAR foi a grande novidade, mas, ao contrário do que muitos diziam, o tempo útil de jogo não se reduziu. Pelo contrário, até aumentou em relação ao Brasil'2014: passou de 55 para 57 minutos. Comparando com a nossa Liga, onde cada revisão demora em média 74 segundos, no Mundial demorou acima dos 85 segundos. O número de reversões foi semelhante: uma decisão alterada a cada três jogos.

Em 64 jogos tivemos 455 lances verificados, o que dá uma média de sete por jogo. Foram revistos um total de 20 e apenas três não foram alterados pelo árbitro de campo. Em 17 situações, as imagens foram revistas no relvado. Das 20 decisões revistas, 15 foram relativas a lances de possível penálti. Só dois golos foram anulados por fora-de-jogo.

Um número muito interessante e que mostra a mais-valia do VAR, é que 99,3 % das decisões foram corretas. Não menos importante é que, sem o VAR, a média é pouco inferior (95,6%), o que demonstra da grande assertividade dos árbitros.

Houve apenas um amarelo por simulação e quatro vermelhos, nenhum por conduta violenta. Um dado que nos pode fazer concluir que o VAR acaba por ser dissuasor de maus comportamentos. No total, registaram-se 223 cartões amarelos - média de 3,48 por jogo -, na sua maioria devido à imprudência dos atletas. O número de penáltis mais do que duplicou em relação ao Brasil (de 13 para 29), sendo que nove deles foram assinalados após intervenção do VAR.
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