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Cartão amarelo

Luciano Gonçalves
Luciano Gonçalves Presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol

Profissão de sonho

Um árbitro profissional é também um apaixonado de futebol e pode parecer ter uma profissão invejável. Viaja de jogo em jogo, contacta com os melhores jogadores e treinadores do Mundo, e participa no jogo que se ama no melhor local possível, dentro do campo. Ser árbitro é fantástico e apaixonante, mas obriga a muito trabalho e dedicação.

Numa semana normal, segunda, terça, quarta, quinta e sexta-feira são dias de treino. Pode haver exceções, no caso de existir jogo a meio da semana, mas nestes casos o tempo é passado em viagens e estadias longe da família. Só a título de exemplo, num jogo internacional por norma estão fora no mínimo três dias.

Por vezes há treinos de manhã e à tarde, sendo que a maior parte deles têm outros empregos e apenas podem fazê-lo depois de sair dos respectivos trabalhos. Às quartas recebem a nomeação e à quinta, além do treino, ainda preparam o jogo com análise às equipas e aos jogadores, de forma a estar preparado para tomar 400 decisões em 90 minutos. Chegado o fim de semana, nova viagem, nova estadia, muita concentração. Para fazer um jogo, passam pelo menos 60 horas longe da família.

Um árbitro de topo tem de estar fisicamente bem, já que as provas são cada vez mais exigentes. A nível teórico tem de estar preparados para testes em português e inglês, mais os períodos em que vão dar formação aos mais novos nas suas associações distritais.

Este é o resumo do dia a dia de um árbitro. São muitas horas de treino, análise, viagem e dedicação; e muito poucas junto dos filhos, família e amigos. Para ser árbitro é preciso muito mais do que gostar e entender de futebol; é necessário ter personalidade, honestidade, carácter e integridade. Como alguém disse, "o futebol é o mais importante das coisas pouco importantes". E assim deve ser encarado por todos.

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