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Luís Aguilar
Luís Aguilar

Amigo de Dios

Estamos a 14 de fevereiro de 2010. Sento-me numa das bancadas do Vicente Calderón minutos antes de se iniciar um Atlético de Madrid-Barcelona. Estou sozinho, a deliciar-me com o ambiente e os cânticos ensurdecedores da Frente Atlético, claque de apoio dos colchoneros. A absorver cada segundo daquele ambiente fantástico. Ao meu lado está um espanhol, na casa dos 50 e poucos anos, acompanhado por um grupo de amigos. Mete conversa comigo. Digo-lhe que sou português e que nos últimos tempos tenho ido muitas vezes a Madrid e ao estádio para ver jogos do Atlético. Pergunta-me o porquê de estar ali com tanta frequência: "Por causa de Tiago e Simão Sabrosa [os dois representavam o Atlético e foram titulares nesse jogo]?" Explico-lhe: "Gosto muito dos dois, mas não é por isso que estou quase sempre cá." Intrigado com a resposta, ele volta à carga: "Então porquê?" "Sou amigo do Futre e estou a fazer um trabalho com ele."

O seu rosto foi invadido por uma expressão de euforia: "Hombre, entonces no eres amigo de Futre. Eres amigo de Dios." Vira-se para os amigos e grita enquanto aponta para mim: "Amigo de Futre, amigo de Futre." De repente, tenho todos à minha volta. Cada um conta histórias de tardes e noites passadas no Calderón em que Paulo Futre foi o herói. De grandes jogos contra Barcelona e Real Madrid. De muitos momentos em que o Calderón se levantava para aplaudir aquele que, para muitos colchoneros, ainda hoje é o melhor jogador de sempre da história do clube.

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O Calderón deixará de existir e o Atlético de Madrid passará a ter uma nova casa na próxima época. Mas a história daquele estádio mágico é inapagável. E algumas das páginas mais bonitas foram escritas por um português. O meu amigo Paulo Futre.

Por Luís Aguilar
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