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Luís Aguilar
Luís Aguilar

Bravo, Claudio!

Os guarda-redes são diferentes. Loucos, trágicos ou solitários. Personagens únicas e um caso à parte no mundo do futebol. Vão com as mãos e a cabeça onde os outros andam com os pés. Têm essa coragem. Essa exclusividade perigosa (basta ver a violência do lance que levou Petr Cech a usar um capacete de proteção em todos os jogos).

Podem ser os últimos heróis de uma equipa ou os primeiros vilões. Vivem nesse carrossel de emoções durante toda a carreira. Muitas vezes, durante o mesmo jogo. Se o golo é o orgasmo do futebol, eles têm como principal objetivo tornar o jogo estéril. E raramente as suas defesas, por mais brilhantes e decisivas que possam ser, merecem a mesma comemoração de um remate certeiro. A menos que seja num desempate por penáltis. Aí, nesse momento, o guarda-redes é celebrado como um ponta-de-lança que marca o golo da vitória no último minuto. Deixa de ser um elemento marginal e esquecido. Torna-se o ator principal de um filme que costuma ver à distância, sem intervir muitas vezes.

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O chileno Claudio Bravo foi esse herói contra Portugal. Tal como já tinha sido na final da Copa Centenário frente à Argentina de Messi. Veio de uma época difícil. A aventura no Manchester City não lhe correu bem. De tal forma que Pep Guardiola contratou Ederson ao Benfica. Mas a Taça das Confederações deu-lhe novo alento. Quaresma, Moutinho e Nani até podiam ter feito melhor. Mas Bravo é um grande guarda-redes e um especialista em parar grandes penalidades. Voltou a ser herói. Até ser novamente considerado vilão um dia destes. Seja na sua seleção ou no clube. É esta a vida de um guarda-redes. Por mais Bravo que seja!

Por Luís Aguilar
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