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Luís Aguilar
Luís Aguilar

FR igual a FRança e FRaude

Anda por aí a correr uma petição de um grupo de franceses para repetir a final do Euro 2016. Escrevem eles que "a fraude portuguesa não merece um título daqueles". A proposta, além de ridícula e descabida, dá ainda a conhecer uma amnésia coletiva por parte dos 95 mil assinantes (até ao momento), mas como tantas vezes acontece, a azia e a mania da superioridade acabam por se transformar em ignorância e disparate. Fraude não é vencer um Euro com um golo fora da área no prolongamento. Fraude não é conseguir chegar à final depois de três grandes penalidades (todas sobre Ronaldo) não serem assinaladas. E fraude nunca será, certamente, ficar sem um jogador lesionado, propositadamente, por outro e ter de transformar as lágrimas de dor e tristeza em motivação e alegria.

E é estranho que os franceses desconheçam o conceito de fraude. Mais do que ninguém no futebol europeu, deveriam ser os primeiros a saber e até poderiam dar lições sobre o assunto. Fraude é chegar ao Mundial de 2010 com a mão de Henry que deixou a Irlanda fora da competição. Henry, esse grande nome do futebol, que agarrou na bola e levou-a de bandeja até à cabeça de Gallas. Terão os franceses falado em fraude nessa altura? Não, pelo contrário. Ainda intitularam o incidente com o pomposo nome de "Mão de Gália". Tão poéticos e espirituosos que eles são. E a FIFA lá teve de pagar à Irlanda para não protestar o jogo. Cerca de 5 milhões de euros pelo silêncio e concordância da federação irlandesa. Fica a dúvida: então se foi um erro do árbitro, e se os erros fazem parte do futebol, porque pagaria a FIFA à Irlanda? Parece uma clara admissão de que o organismo que rege o futebol mundial estava metido ao barulho para pôr a França em África do Sul. E lá conseguiu. Por ironia do futebol, a federação gaulesa ainda ganhou menos dinheiro do que a sua congénere irlandesa, uma vez que a França não passou da fase de grupos do Mundial. Não terá sido justiça divina. Mas foi justiça de chuteiras.

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Ainda antes, em 1998, não foi preciso usar as mãos para pôr a França no campeonato do mundo. Mas teve de ser com "luvas". Os franceses organizaram o torneio e não precisaram de passar pela qualificação. Porém, necessitaram de pagar elevados subornos aos dirigentes da FIFA para conseguirem o direito de acolher a prova. Assim o diz Chuck Blazer, antigo dirigente norte-americano que foi o delator de todo o escândalo de corrupção da FIFA em maio do ano passado. E por falar em práticas corruptas (ou fraude, caso os franceses prefiram assim), o que dizer de Platini? Aliás, é preciso dizer alguma coisa de Platini? "Qatargate", pagamentos suspeitos vindos de Blatter, banido do futebol por oito anos pelo mesmo organismo (FIFA) que se preparava para presidir. Uff, que currículo. Em boa hora, a justiça norte-americana apareceu e obrigou a limpar parte deste organismo. A parte má, da qual Platini sempre fez parte. O tal que foi feito por Blatter – e com ele aprendeu tudo – antes de querer ser mais do que isso.

Fraude é ver que a última equipa francesa a ganhar a Liga dos Campeões foi o Marselha em 1992/93. E como acabou esse filme? Com a taça a ser erguida? Não, teve continuação. Terminou, na temporada seguinte, com o Marselha condenado à segunda divisão e com o seu presidente, o nada fraudulento Bernard Tapie, atrás das grades. Motivo: jogos comprados na liga francesa para que o Marselha não de desgastasse muito e conseguisse ser campeão ao mesmo tempo que tentava a glória europeia.

Caros amigos franceses, ainda querem assinar petições a falar de fraude? Fraude e França começam com as mesmas duas letras do abecedário. Com o "FR" de futebol francês e de todos os seus ataques à verdade desportiva. Aqui fica um conselho: o Euro 2016 acabou, Portugal trouxe a taça e a França ficou com um honroso segundo lugar. Se querem tanto ver o jogo repetido basta ligarem a "box" e recuarem até domingo à noite. Ainda está disponível. Foi há menos de sete dias, tal como disse o ator João Carracedo no seu Facebook. Uma piada bem melhor do que a vossa quando falam em petições por causa de campeões fraudulentos. Além do mais, o golo de Éder veio apenas dar justiça a este Euro. Quem leva o David Guetta para fazer de DJ, só merece mesmo ser despachado com uma "bomba" fora da área. Au revoir!

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Por Luís Aguilar
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