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Começa pelo ódio dos adeptos e no insulto mais comum neste tipo de mudanças: "Traidor!". Continua na imprensa catalã, com a capa do ‘Sport’ a meio da semana – Hasta Nunca! –, e arrasta-se ao próprio Barcelona que agora quer pôr Neymar em tribunal apesar de se preparar para receber 222 milhões de euros pela cláusula de rescisão do astro brasileiro.
Os jogadores, felizmente, são um caso à parte nestas revoltas fast food e manifestações de ingratidão tão comuns entre adeptos e dirigentes. Messi, Suárez e Iniesta recusaram-se a entrar neste tiro ao boneco e deixaram palavras bonitas na despedida. A mensagem de Iniesta mostra bem qual deveria ser o sentimento reinante no futebol: "Os nossos caminhos separam-se, mas os nossos sentimentos seguem unidos." De um lado, a memória curta dos que não jogam. Do outro, o reconhecimento e a gratidão daqueles que dividiram o balneário com Neymar. Os mesmos adeptos que agora o apelidam de pesetero são aqueles que, ao longo das últimas quatro temporadas, vibraram com a magia do brasileiro.
Mas Neymar não é um caso Figo. Não se muda para o rival do Barça. Vai para outro país e deixa os cofres dos catalães com a maior transferência de sempre. Tem toda a legitimidade. Pelo dinheiro ou por mais do que isso. É a sua vida. Mas em Barcelona não se deveriam esquecer do que Neymar ajudou a dar ao clube uma Champions, um Mundial de Clubes, duas ligas espanholas, três Taças do Rei e uma Supertaça. Foram oito títulos em quatro anos e mais de 100 golos oficiais, entre muitas assistências e momentos de pura arte. Neymar é uma das grandes figuras da história do Barcelona. Mesmo que agora alguns não o queiram ver dessa forma.
Por Luís Aguilar