Luís Aguilar
Luís Aguilar

Quem me dera...

… que o futebol português não nos continuasse a brindar com manifestações de pura barbárie e estupidez. Quem me dera que o avião da Chapecoense nunca tivesse caído, assim como todos os outros aviões. Quem me dera que as rivalidades entre clubes nunca esquecessem o mais importante: a parte humana. Quem me dera que os adeptos, seja qual for a cor, conseguissem estar unidos no respeito por aqueles que partiram sem desejar a morte a outros, em alto e bom som, num momento nojento que o país inteiro teve de ouvir durante um jogo de andebol.

Quem me dera que as direções dos clubes, neste caso a do FC Porto, ao escutarem tamanha selvajaria, não se limitassem a demarcar-se de tudo com um simples tweet. Sim, vivemos na era das redes sociais e de um futebol que, em Portugal, se esconde atrás de posts e comunicados para não dar a cara pelo que afirma. Mas há casos e casos. E, neste, ninguém levaria a mal se um dirigente dos dragões viesse a público condenar um dos cânticos mais doentios e tristes que já se ouviram em recintos desportivos neste país. Se tantas vezes o fazem para atacar os rivais, desta vez impunha-se ainda mais.

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Quem me dera que as famílias das vítimas do avião da Chapecoense nunca tivessem de ouvir uma claque, fosse onde fosse, entoar tal coisa. Isto já não é pesar o risco. É terrorismo verbal. Mas a culpa não começa e acaba nos Super Dragões. É extensível a muitos dirigentes e comentadores dos principais clubes. Os tais que a cada palavra incitam à violência, ao ódio e à demência verificada neste caso. Quem me dera que todos se calassem.

Por Luís Aguilar
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