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Luís Aguilar
Luís Aguilar

Quem viu o Quinto Beatle?

"George Best voou pelos jogos, personificando a liberdade dentro do campo mais do que qualquer outro. Era intocável. Podia driblar três, quatro ou cinco adversários. E era rock n´roll." Éric Cantona é um dos herdeiros da mítica camisola 7 do Manchester United. Juntamente com Bryan Robson, David Beckham ou Cristiano Ronaldo. Mas não esqueceu o mentor dessa tradição. O primeiro de todos.

Esta semana o Manchester United anunciou que está a fazer um documentário sobre George Best e procura testemunhos de adeptos que tenham marcado presença no Benfica-Manchester United de 1965/66, a contar para os quartos de final da Taça dos Campeões Europeus, em que os ingleses venceram por 5-1 com um "bis" de Best. Muitos dizem que foi o melhor jogo da carreira de um predestinado. Quem esteve no Estádio da Luz nessa noite teve oportunidade de ver uma das maiores lendas do futebol mundial.

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Quem viu o Quinto Beatle?

Antes de fazer 22 anos, Best já tinha o mundo a seus pés. Na temporada 1967/68, conquistou a Champions (também contra o Benfica de Eusébio), sagrou-se melhor marcador da liga inglesa e recebeu a Bola de Ouro da France Football. Génio no campo, rock star fora dele. A imprensa portuguesa colocou-lhe a alcunha de Quinto Beatle, mas Best foi mais do que isso. Rock puro, duro, cru. "Gastei grande parte do meu dinheiro em álcool, mulheres e carros. O resto desperdicei."

O futebol começou a ser trocado pela vida boémia: "Nunca fui fiel a ninguém e isso tornou-se um desporto, um jogo de números, uma forma de preencher o vazio. Os números apenas aumentavam: atrizes, empregadas de mesa, secretárias, irmãs, mãe e filha, ao mesmo tempo, três na mesma cama… Cheguei a estar com a Miss Canadá, Miss Reino Unido, depois a Miss Mundo."

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A vontade de ser o melhor no relvado alastrou-se a tudo o resto. "Sempre tive esta obsessão – querer ser melhor do que toda a gente em tudo – no campo, no bar, nos carros, nas roupas de coleção. Se tivesse de escolher entre fintar quatro jogadores do Liverpool, e marcar um golo ao ângulo, ou dormir com uma Miss Mundo… iria ter dificuldades. Felizmente, tive a sorte de fazer as duas coisas."

Abandonou o United em 1974, numa altura em que a sua vida já estava em declínio. Seguiram-se várias aventuras falhadas no futebol norte-americano, entre as quais nos Los Angeles Aztecs: "Tinha uma casa sobre o mar. Mas precisava de passar por um bar para chegar à praia. Por isso, nunca vi o mar."

Best afundou a sua arte numa garrafa de whisky. Morreu a 25 de novembro de 2005. Tinha 59 anos. Mais de 300 mil pessoas estiveram no seu funeral em Belfast. Foi a última paragem de um génio louco que nunca podia abrandar. No campo e fora dele. Como o próprio gostava de dizer: "Vai com força. Vai com força desde o primeiro minuto. Este princípio também deve guiar-te pela vida."

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Por Luís Aguilar
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