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Costuma acontecer-me quando escuto o trompete desconcertante de Chet Baker. Dá vontade de agarrar em toda a sua discografia e enviar para o espaço. Se houver vida noutros planetas, os extraterrestres ficarão a saber que a humanidade também é capaz de criar algo belo. A mesma humanidade das guerras, dos ódios, das discriminações e dos Trump desta vida. Tem tudo isto, é verdade, mas também tem Chet Baker. E, já agora, tem Messi, Neymar, Suárez e até Sergi Roberto. Tem o Barcelona épico de uma noite imortal.
Sim, nesta mesma humanidade também há lugar para Deniz Aytekin. O árbitro alemão que assinalou um penálti inexistente de Marquinhos com Suárez (do qual resulta o 5-1) e não viu outro escandaloso, ainda antes, de Mascherano sobre Di María (o argentino deve ter uma lei especial, escrita apenas para ele, que o torna imune a todas as faltas que comete dentro da área).
Como em todos os belos quadros há sempre um pequeno defeito. A imperfeição que torna a peça única. Nesta obra de Camp Nou, essa falha é Deniz Aytekin. Mas não chega para borrar toda a pintura. Talvez os jogadores do PSG discordem, claro. Eles veem apenas a mancha (menos Verrati que não se desculpou com os erros de arbitragem). Essas más decisões, porém, não podem resumir tudo o que se passou. Nem metade! Nem um terço!
A melhor forma de contar esta história é começando pelo fim. Pelo pé esticado de Sergi Roberto e as lágrimas de emoção que invadiram as bancadas. Para o espaço mandaria a música de Chet Baker e o DVD com este 6-1 do Barça ao PSG. Não sei se há futebol noutros planetas, mas os extraterrestres iriam adorar este jogo.
Por Luís Aguilar