Guerra e PAZ… e o silêncio dos inocentes!

Adicione como fonte preferencial no Google

'Guerra e Paz' é um monumento da literatura universal. Tolstoi descreve as guerras movidas por Napoleão contra as principais monarquias da Europa, dissecando as origens e as consequências dos conflitos e, principalmente, expondo as pessoas e as suas vulnerabilidades. Leon Tolstoi, um homem que expôs as suas ideias sobre o sentido da vida e desenvolveu as suas reflexões filosóficas em favor de uma sociedade mais justa e fraterna, foi um defensor acérrimo das minorias e dos mais desfavorecidos, e um dos primeiros a insurgir-se contra a escravatura. Apesar das muitas perseguições a que foi sujeito, Tolstoi encontrou na escrita um refúgio e foi de forma sábia que abordou temas tão inquietantes quanto complexos como a guerra no seu sentido mais lato.

Há várias formas de estar na vida, os mais combativos, mais persistentes, mais audaciosos, os que anseiam por mudança, o que por si só não é um problema, pode ser antes uma oportunidade. Agitar consciências é um conceito que significa evolução, para uns uma forma de estar, para outros uma barreira, mas sempre benéfica para a modernidade, com significados diferentes dependendo das várias culturas e diferentes processos de adaptação.

O que me leva ao tema da crónica, Guerra e Paz... é um facto que existem tantas formas de "guerra" que podem ser catalisadoras de mudança, ou pela negativa, simplesmente significar uma enorme falta de solidariedade num mundo cada vez mais dividido entre ricos muito ricos e pobres.

As várias guerras da intolerância, ódio e egoísmo dos povos ao longo da história humana são um triste testemunho da capacidade auto-destrutiva da humanidade. Desde tempos imemoriais, as nações e grupos étnicos envolvem-se em conflitos brutais motivados por preconceitos, desconfiança e interesses egoístas. Conflitos que, muitas vezes, resultam em derramamento de sangue, destruição de culturas e sofrimento humano indizível.

Hoje o mundo vive em guerra, ou em guerra pela paz, mas não é só a guerra das armas, são todo o tipo de guerras, é a guerra das certezas, a guerra da intolerância, a guerra das audiências a guerra das minorias e maiorias, a guerra dos egoísmos, a guerra pelo parecer ser... uma infinita dimensão de guerras. Recordo-me bem de um professor universitário durante a minha licenciatura em direito na década de 80, que me disse com uma clarividência e antecipação notável, que a maior ameaça global a maior guerra, não era o mundo pegar em armas, eram os povos do hemisfério sul subirem para o Norte/Europa em fuga com o flagelo da fome. Hoje em dia assistimos a um permanente estado de sítio, onde todos aparentemente batalham sem tréguas, por causas, sociais, sustentabilidade, inclusão, princípios éticos, fraternidade, enfim uma luta descontrolada, um frenesim mediático sem fim.....parece que  assistimos a um permanente limpar de consciências por parte de todos, queremos demonstrar que estamos certos, que somos todos símbolos de mudança, que podemos impactar o mundo não importando a causa, o modo, apenas preocupados com a forma, sem tentar alinhar os intervenientes para o caminho a tomar, ou saber como lá chegar e porquê.

Neste ruído ensurdecedor em que vivemos as guerras verdadeiras, aquelas que em última análise provocam mortos, as que deveriam merecer toda a nossa a nossa atenção e que não devem nunca abandonar as nossas consciências, são as mais esquecidas, são as que por interesses egoístas, provocam mortos, fome, miséria, migração de povos, sofrimento sem fim.

A intolerância é frequentemente o catalisador dessas guerras, quando um grupo se recusa a aceitar ou conviver com as diferenças de outro. O ódio, alimentado por desconfianças e rivalidades, muitas vezes se transforma  num combustível explosivo, levando aos mais diversos atos de violência e agressão. O egoísmo, por sua vez, leva as nações a buscarem os seus próprios interesses acima de tudo, muitas vezes às custas da paz e do bem-estar de outros povos.

Exemplos trágicos dessas guerras da intolerância, ódio e egoísmo são numerosos ao longo da história. As guerras religiosas da Europa durante a Idade Média, as atrocidades do Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial, os conflitos étnicos na antiga Jugoslávia e o genocídio no Ruanda, e a guerra tão presente na Ucrânia, são apenas alguns dos exemplos mais sombrios.

Mas há tantas guerras que vivem no esquecimento das nossas consciências, e num silêncio ensurdecedor... anualmente, milhões de crianças no mundo morrem por má nutrição. Mais de 3 milhões de crianças morrem de fome todos os anos. Mais brutal ainda, morrem 8500 crianças por dia, crianças entregues a um destino fatal, sem voz, sem protecção, aqui sim, importava limpar as consciências e dar voz e oportunidade ao verdadeiro silêncio dos inocentes!

A nossa responsabilidade é, portanto, continuar a buscar a compreensão mútua, a tolerância e a cooperação, para que possamos quebrar o ciclo de guerras motivadas pela intolerância, ódio e egoísmo. O objetivo deve ser construir um mundo onde a diversidade seja celebrada, a compaixão prevaleça sobre o ódio e o bem comum seja priorizado sobre os interesses egoístas. Só então poderemos verdadeiramente superar as cicatrizes do passado e construir um futuro mais pacífico e inclusivo para as gerações vindouras.

E o desporto? Continua a ser um meio poderoso para impactar positivamente , para conciliar, para unir se todos quiserem, porque se não quiserem continuaremos com tantas e mais guerras, e a condenar ao silêncio e à morte os inocentes. Sabemos que o desporto tem um potencial único de desempenhar um papel positivo na promoção da paz e na redução de conflitos de várias maneiras, na construção de Pontes ao unir pessoas de diferentes culturas, nacionalidades e origens sócio-económicas, o Desporto pode desempenhar um papel positivo na promoção da paz dentro de uma estratégia mais ampla de construção e solidificação dessa mesma Paz.

A história ensina-nos que a humanidade é capaz de aprender com os seus erros e a trabalhar em direção a um futuro mais harmonioso e, se pensarmos assim, socorrendo-me de Winston Churchill... O sucesso consiste em ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo, e eu acrescentava... para acabar de vez com o silêncio dos inocentes, pelas crianças deste mundo!

Deixe o seu comentário