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Podemos dizer que muitos atletas russos andaram, ao longo dos tempos, a ‘brincar’ com coisas sérias. Ser desportista profissional, mas fazer depender o respetivo rendimento do consumo de produtos proibidos é lamentável. E, sinceramente, nem estou a pensar nos problemas que isso acarreta para a sua saúde. Hoje, aliás, ninguém desconhece os perigos que enfrenta. Quem julga que é por aí que deve seguir... siga. A questão é que essas práticas são sinónimo de batotice. Quantos títulos e medalhas, em Europeus, Mundiais ou Jogos Olímpicos, nas mais diversas modalidades, podiam mudar de dono caso todos jogassem ‘limpos’... ou ‘sujos’. Assim sendo, defendo que muitos russos não compitam no Rio de Janeiro.
Mas ser contra os trapaceiros não significa, por si só, apoiar esta verdadeira ‘caça às bruxas’ que se está a tentar fazer no desporto russo. Como é que se pode considerar legítimo, por exemplo, que se impeça alguém que nunca teve um controlo positivo de marcar presença nos Jogos Olímpicos?
Mais interessante: quantos atletas, de outras nações, vão ao Brasil lutar por medalhas depois de, no passado, terem sido castigados exatamente por consumo de ‘doping’? Vários! Mas, defendem alguns, após cumprir castigo estão aptos a competir. Pelos vistos, mais aptos do que um qualquer russo da equipa de atletismo, toda ela barrada. Este critério não se compreende e vai fazer com que Putin esteja atento aos outros batoteiros. Vai começar um jogo perigoso, uma autêntica roleta russa.
Por Luís Avelãs