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Luís Avelãs
Luís Avelãs Jornalista

Desenjoar

O futebol, em Portugal ou em qualquer outro ponto do Planeta, precisa de rivalidades. O denominado desporto-rei só tem esse estatuto devido à capacidade – notada praticamente desde a sua origem – de ‘mexer’ com as pessoas. Apesar de ser usual dizer-se que ‘ganhar ou perder é desporto’, a verdade é que nem aqueles que mais vezes se socorrem dessa frase são capazes de afirmar que é a mesma coisa (ou sequer parecido). Ganhar é muito mais ‘desportivo’ do que perder ou empatar. Por isso, sem dúvida alguma, considero que a rivalidade – e as querelas teóricas que a mesma provoca – fazem parte do fenómeno. Mais: são essenciais para manter bem viva esta paixão de cariz mundial que junta milhões e milhões.

Contudo, entender e até apreciar um bom despique clubístico não tem nada a ver com aquilo a que, de há uns tempos a esta parte, se tornou normal cá no burgo. Dirigentes com pouca noção do seu papel no desporto e um sem-número de comentadores – muitos dos quais especialistas em praticamente tudo, mas sem perceberem quase nada do que quer que seja – que nos entram casa dentro através da televisão apenas contribuem para poluir um sistema que, repito, precisa da rivalidade, mas também de respeito e elevação.

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Assim sendo, neste fim de semana, estou muito agradecido à Seleção Nacional. E desta vez não por ter conquistado o título europeu. O embate com a Letónia ditou a paragem dos jogos dos clubes e isso, claro, acalmou muitos ‘incendiários’. Sempre dá para desenjoar...

Por Luís Avelãs
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