Olhos de ver

Luís Avelãs
Luís Avelãs Jornalista

Orgulho nacional

Quis o destino que tivesse assistido à final do recente Europeu de futebol longe de casa, num cinema, rodeado de quase 130 adolescentes e acompanhado por alguns adultos que, embora numa modalidade distinta (basquetebol), já representaram (outros ainda o fazem) o País. E como fiquei feliz com o que vi! Bom, em qualquer contexto, ficaria sempre extremamente satisfeito por poder contemplar a mais representativa Seleção Nacional a vencer uma competição tão importante. Mas, neste caso concreto, a emoção foi maior por ver tantos portugueses a chorar de alegria.

Cresci a ouvir uma conversa deveras deprimente. "Estamos sempre condenados ao insucesso. É o nosso fado", escutei vezes sem conta. Provavelmente tantas quantas as que deparei com as "vitórias morais". Confesso que já estava farto desse cinzentismo bacoco. Podemos, é verdade, em qualquer situação, não ter a base de recrutamento de outros; as instalações de sonho que desejávamos; a capacidade de conciliar da melhor maneira ensino e prática desportiva; o dinheiro necessário para criar Centros de Treino ou, tão-somente, proporcionar os contactos internacionais essenciais à evolução. Dificuldades e problemas, concordo, temos (e sempre teremos) muitos. Não há nada a fazer.

Mas quem é que triunfa sem ter de trabalhar muito? Quem é que atinge o topo sem, aqui e ali, colocar tudo em causa, sem pensar em desistir? Ninguém! A diferença é que uns baixam mesmo os braços. Os outros, os que têm fibra, levantam-se após a queda e continuam a sonhar e a trabalhar para que o bjetivo se torne realidade. Foi assim, por exemplo, que Ronaldo, 12 anos volvidos, chorou outra vez na final de Europeu. A diferença é que as lágrimas parisienses foram de alegria.

Ver tantos jovens de outra modalidade a envergar camisolas da Seleção de futebol, com cachecóis ao pescoço (apesar dos cerca de 40graus), a gritar indicações como se Ponte de Sor estivesse a metros de Paris e os futebolistas os pudessem ouvir e a cantar o hino com tanto orgulho mostrou-me que, neste País em que tanta coisa está mal, uma já mudou: passámos a acreditar . A partir daí todos os sonhos ficam mais perto...

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