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Eliminação com números impensáveis

Nem goleada, nem vitória. Na mais que anunciada despedida da Taça UEFA, o Benfica não marcou golos e, pior que isso, acabou derrotado por um desconhecido Metalist que, mesmo pensando essencialmente em defender, saiu de Lisboa com mais um sucesso, o primeiro lugar do grupo e um percurso imaculado sem sofrer um único golo.

Tendo como parceiros de série Galatasaray, Olympiacos, Hertha de Berlim e o tal Metalist - e sabendo-se que seguiam em frente os três primeiros colocados -, o Benfica dificilmente poderia ficar de fora da fase seguinte. E mesmo que, por esta ou aquela razão, falhasse o objectivo, poucos acreditavam que um conjunto que foi reforçado de modo a poder atacar em várias frentes, se ficasse por um paupérrimo registo de 1 só pontinho em 4 partidas. E em casa, onde dirigentes, técnicos e jogadores esperavam que os adversários encontrassem um inferno, as águias foram incapazes de pontuar ou mesmo festejar um golo, perdendo com turcos e ucranianos que, tendo qualidade, não deviam constituir obstáculo tão complicado para uma equipa que sonhava com voos diferentes.

Olhando para as classificações dos oito grupos da Taça UEFA, concluímos que só três clubes (Partizan, Heerenveen e Feyenoord) fizeram pior que os encarnados. Oficiosamente, o clube da Luz foi 37º numa competição com 40 emblemas! E se o ângulo de abordagem for os golos apontados, então os comandados de Quique, com 2 remates certeiros, sobem apenas um degrau, deixando para trás Hertha de Berlim, Partizan, Rosenborg e Feyenoord. Já nos golos sofridos, somente os holandeses do Heerenveen (13) e do Feyenoord (10) encaixaram mais que as águias (9).

Basicamente, olhando desta ou daquela forma, para este ou aquele aspecto, a verdade é que o Benfica, depois de uma pré-eliminatória de bom nível com o Nápoles (4 golos em 2 jogos perante uma das melhores equipas da Série A), realizou uma fase de grupos mais que sofrível.

Quique Flores afirmou, após o jogo com o Metalist, que tudo começou a desmoronar-se com a derrota caseira com o Galatasary. Não concordo! O problema começou mais cedo, logo na ronda inaugural, quando o Benfica se conformou com um empate na Alemanha, diante de um acessível Hertha de Berlim. Os desempenhos seguintes dos germânicos comprovaram que a equipa devia ter sido mais ambiciosa logo de entrada. Uma vitória nesse primeiro confronto podia ter sido decisiva para escrever outra história...

PS - Depois do adeus à Taça de Portugal, a saída da Europa. Em poucos dias, o Benfica deixa cair, muito cedo, duas frentes "de combate", com um par de exibições sem muita qualidade e com a particularidade de em ambas não ter conseguido marcar golos. Como não poderia deixar de ser, sócios e simpatizantes começam a perder a paciência. Os assobios que se ouviram no final do jogo com o Metalist comprovam que a pressão está a aumentar, tal como já se percebera com as palavras de Luís Filipe Vieira a semana passada. A liderança da Liga não chega para esconder a irregularidade dos últimos tempos. Segunda-feira, diante do Nacional, veremos se os jogadores são capazes de garantir um Natal e um Ano Novo sem sobressaltos...
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