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Humilhante tragédia em Atenas

O que aconteceu ao Benfica na Grécia foi mais que uma tragédia desportiva. Basicamente foi uma verdadeira humilhação, não tão grave quanto a de Vigo, é certo, mas igualmente merecedora de lugar de destaque na história do clube da Luz e também do futebol português. Nas páginas negras, acrescente-se...

Caso os encarnados tivessem perdido por 1 ou 2 golos de diferença, a missão a que se propunham – a qualificação para a fase seguinte da Taça UEFA – continuaria a ser uma miragem mas, objectivamente, teriam evitado um embaraço tão grande. Quique Flores foi humilde ao pedir desculpas aos adeptos mas, naturalmente, as palavras e o gesto do técnico (bem como de alguns jogadores e dirigentes) não chegam para atenuar o que se viu em Atenas. A exibição do Benfica foi paupérrima, recheada de erros próprios de principiantes, distracções inadmissíveis e equívocos vários. O chorrilho de asneiras atingiu proporções tão absurdas que, de repente, o Olympiacos, sendo apenas e só uma equipa com qualidade, parecia ser o melhor conjunto do Mundo.

Custa perceber como é que uma formação experiente, sabendo que no mínimo precisava de empatar, consegue sofrer um golo ainda antes dos 40 segundos, com a particularidade do lance, em teoria, não reservar muito perigo para a rede de Quim. Em traços gerais, o que sucedeu na primeira jogada foi um sinal dos deuses. Ficou claro, logo ali, perante tamanha oferta encarnada, que a jornada ia ser longa e penosa. E foi mesmo!

Ainda recentemente vimos o FC Porto ser goleado (0-4) em Londres, diante do Arsenal; a Selecção Nacional sair do passeio a Brasília com um impensável 2-6 ou o Sporting sofrer 5 golos em casa com o Barcelona. Em todas essas partidas, como é fácil imaginar mesmo para quem não viu, deslizes defensivos foram mais que muitos. Mas, para além dos erros próprios, constatou-se igualmente muito mérito dos adversários, entre os quais figuram vários dos melhores executantes do planeta. Em Atenas, e pese a eficiência dos locais, foi o Benfica quem ofereceu a noite de glória aos helénicos. Os jogadores de Ernesto Valverde nem precisaram de atacar muito ou bem. Limitaram-se a tirar proveito de 90 minutos ridículos da equipa lisboeta, com destaque para a defesa (guarda-redes incluído) que, resumidamente, fizeram quase sempre figura de corpo presente. Ou seja... triste figura!

Tem sido comum, entre os simpatizantes encarnados, assistir a muitas críticas a Luisão. Argumenta-se, por exemplo, que o central já não exibe a regularidade de outros tempos. Passe um ou outro exagero, concordo com a análise, mas a verdade é que, sempre que o internacional brasileiro fica de fora, a defesa oscila. E de que maneira! Acredito que tanto Sidnei, como David Luiz, possuem potencial para fazer uma carreira mais brilhante que o companheiro e compatriota mas, a partida de Atenas, confirmou que, por agora, ambos valem muito mais... quando o têm ao lado. A comandar o sector, a servir de líder.

Do naufrágio grego (e não ilibando ninguém das responsabilidades pelo sucedido, pois a culpa foi colectiva e não apenas de A ou B) sobressai ainda a constatação – que não é nova – da incapacidade de Binya para render ao mais alto nível. O africano tem atitude e uma vontade imensa de ajudar mas, tais predicados não chegam para esconder as insuficiências técnicas. Impotente para auxiliar a transição defesa-ataque, face à habilidade reduzida, e sistematicamente limitado pelos amarelos na luta pela posse de bola... o camaronês é, quase sempre, um homem a menos sempre que do lado contrário está um conjunto acima da vulgaridade. Por outras palavras, quando os jogos são decisivos, é melhor optar por Katsouranis - inclusive quando o grego está a 70 (ou menos) por cento – ou por alguém que, sendo menos robusto, saiba “mexer” na bola.

Agora, com a Europa praticamente posta de parte, o Benfica tem, mais do que nunca, de se agarrar às competições internas, nomeadamente à Liga, onde segue a apenas 1 ponto do sensacional Leixões e tem vantagem sobre os rivais de sempre. O duelo caseiro com o Vitória de Setúbal, de segunda-feira, reveste-se de capital importância. Outro desfecho que não uma vitória encarnada será suficiente para transformar a “tragédia grega” numa "tragédia mais abrangente".

PS – Inacreditável o que sucedeu, mais uma vez, ao Sporting de Braga. Perder outro jogo, no final do período de compensação, é castigo tremendo para um conjunto que, paradoxalmente, até parece capaz de render mais nas competições internacionais do que propriamente nas provas nacionais. Não acredito em bruxedos e coisas que tal, mas se acreditasse aconselhava os minhotos a estarem atentos a esta “onda negativa”.
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