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O inevitável adeus de Simão

Depois de várias hipóteses abortadas quando o negócio parecia certo, agora está confirmado que Simão deixa o Benfica e regressa a Espanha. Não fico surpreendido. Aliás, tendo em conta o contexto actual do futebol internacional e as paupérrimas finanças dos clubes portugueses, estranho foi ver um jogador com tamanha classe a brilhar tantos anos nos relvados nacionais sem dar o salto para uma liga mais forte e necessariamente mais rica.

Tenho dúvidas que o Atlético Madrid, face aos modestos desempenhos das últimas temporadas, seja o clube mais indicado para o internacional luso tentar nova experiência no estrangeiro, ainda por cima tendo em conta a saída recente do fantástico Fernando Torres. No entanto, convém recordar que Simão terá ao seu lado gente como Forlan, Aguero, Maxi Rodriguez, Maniche e outros com provas dadas. E as compras ainda não terminaram. Quaresma, por exemplo, continua a ser apontado como o próximo alvo dos colchoneros...Fazer frente a Real, Barcelona, Sevilha e Valência é mesmo a ideia.

Mas, vejamos as implicações da saída de Simão na perspectiva do Benfica e do futebol português:

- Fernando Santos, depois de ter prometido o título, deve estar à beira de um ataque de nervos. Por muito que entenda a obrigatoriedade do negócio, tem a noção, provavelmente como ninguém, que a equipa acaba de perder o capitão, o máximo goleador das últimas épocas, o “rei” das assistências, o marcador preferencial de penáltis, livres e cantos, o mais temido executante em situações de “1x1”, o incontestado líder, o ídolo dos adeptos. Conforme o próprio admitiu recentemente... o adeus de Simão é um pesadelo terrível. Até porque, agora, toda a estratégia que estava a ser montada fica órfã da peça principal. Em dois anos consecutivos - porque se esperava uma transferência ou porque a saída era improvável - a pré-temporada encarnada fica marcada por um nome... Simão.

- Para colmatar a vaga deixada em aberto, os responsáveis do clube da Luz precisam, quanto antes, de encontrar um substituto válido fora do plantel. E isso é duplamente complicado: não existem muitos futebolistas com tanto talento à disposição e o clube não pode gastar fortunas para os aliciar. Mas, só investindo forte será possível dotar o conjunto de “armas” capazes de lutar pelos objectivos delineados (vitórias nas provas nacionais e entrada na Liga dos Campeões). E depois é preciso “acalmar” os adeptos. E isso só será possível apresentando um nome acima de todas as suspeitas e não “projectos”.

- A saída de Simão deixa o Benfica numa situação idêntica a FC Porto e Sporting, visto que os rivais também já tinham perdido referências neste defeso. Aquilo que parecia ser uma vantagem encarnada (a estabilidade na espinha do conjunto) cai por terra. Agora, até pela quantidade de opções à disposição, talvez seja o campeão FC Porto que volte à “pole position” no que diz respeito a favoritismo. Mas, basta Lucho e/ou Quaresma mudarem para Espanha e tudo volta a ficar muito baralhado. Mas, para mim, isso é positivo. A incerteza quanto ao nome do vencedor pode transformar a Liga numa prova mais apaixonante. O problema é que sem Simão, Pepe, Anderson, Nani e outros a qualidade vai continuar a decrescer. E isso é mau...
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