Interrogatório

Luís Avelãs
Luís Avelãs Jornalista

O Mundial já começou mas a Seleção só 'aqueceu'

É justo dizer que o resultado contra Marrocos foi melhor do que a exibição?

Isso foi verdade... contra a Espanha. O que sucedeu ontem foi diferente. Para pior! A Seleção foi completamente dominada pelo conjunto africano que, mesmo em caso de empate, poderia queixar-se da falta de sorte (e de um árbitro simpático para as nossas cores). Se no desporto houvesse justiça, Marrocos teria ganho, tal a superioridade exibida. O resultado foi excelente, a exibição... não existiu.

Fernando Santos fez apenas uma alteração no onze. Foi uma opção correta?

Se já não parecia antes do apito inicial, depois do que se viu a resposta só pode ser ‘não’. Com exceção de Cristiano Ronaldo (ainda abaixo do que pode fazer) só os elementos mais recuados (e sem contar com Guerreiro) estiveram próximo do seu real valor. Até a inclusão de João Mário se revelou falhada. E do banco também não veio nada de positivo.

Face ao que se viu nos dois primeiros jogos é de prever que contra o Irão apareçam mais mexidas entre os titulares?

Creio que será obrigatório. Fernando Santos deu um voto de confiança aos jogadores e alterou pouco do primeiro para o segundo jogo mas, até pelo teor das suas declarações, ontem, vai ter de procurar outras alternativas. Manter tudo na mesma, mais que uma questão de opção – que se respeita – parecerá teimosia. E o técnico, claro, viu o que todos vimos. E não gostou.

Ronaldo voltou a fazer a diferença?

Naturalmente, ao aproveitar logo a primeira oportunidade. Com ele já se sabe como é... O problema é que a equipa não mostra muita capacidade para ir atrás do capitão. E ele, sendo o melhor do Mundo, não chega para todas as encomendas. Bom, para já deu para empatar com a Espanha e bater Marrocos. Mas, convenhamos, a jogar tão pouco, mais dia menos dia, Cristiano e mais uns fogachos será curto. O Mundial já começou mas a Seleção só ainda ‘aqueceu’. Urge que todos – ou pelo menos a grande maioria – jogue perto do seu real valor.

A ausência de André Silva no onze é a decisão mais questionável do selecionador?

Sim, se olharmos só para o jogo com Marrocos. O jovem dianteiro não teve uma temporada fácil no Milan, mas a verdade é que brilhou nos compromissos da Seleção ao lado de Ronaldo. Contra o Irão será difícil que não avance de entrada, ainda por cima com Guedes a desiludir. Pelo que já mostrou na Seleção, André merece recuperar um posto de início.

O que é que foi mais estranho perante os marroquinos?

A incapacidade de ter bola, de a conseguir fazer circular. Portugal esteve largos minutos sem conseguir acertar meia dúzia de passes seguidos. Não é nada comum ver uma equipa com tantos tecnicistas a tratar tão mal a bola.

Pelo que se tem visto o título é um sonho ou... uma miragem?

Talvez as duas hipóteses se apliquem. A Seleção tem feito muito pouco, é um facto, pelo que se pode falar em miragem. Mas, no Europeu de França, em 2016, o arranque também foi aos soluços, com três empates com adversários bastante acessíveis. E depois... acabou como sabemos. Assim, a questão do sonho também é suscetível de se colocar. Aliás, depois do que se viu ontem, é seguro prever que Portugal vai subir de produção no terceiro jogo. E essa é, para já, a boa notícia. Isso e a forma de Ronaldo...

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