A estrutura
Não foram os árbitros, apesar de terem cometido erros flagrantes, não foi a comunicação, que não tem influência rigorosamente nenhuma dentro de campo, e muito menos a sorte ou a falta dela. O Sporting chega a março arredado da discussão de todas provas por ter uma estrutura mais fraca do que a dos rivais.
E a estrutura, termo que por vezes se utiliza para tentar explicar tudo sem nada conseguir justificar, deu mostras de ineficácia, até por estar excessivamente prisioneira de um treinador que tudo tenta controlar e começa agora e invocá-la. Rui Vitória, no Benfica, e Nuno Espírito Santo, no FC Porto, não têm por certo a veleidade de conhecer todos os jogadores nem dominar as variáveis físicas, psicológicas e desportivas de cada reforço em potência. Faltou ao Sporting, no fundo, um gabinete de prospeção qualificado, eficaz e, mais importante do que tudo, suficientemente autónomo , capaz de se libertar de um certo empirismo de que Jorge Jesus transporta. O Sporting ficou atrás de Benfica e FC Porto porque contratou pior. E tudo o resto são pormenores.
Quando ainda dava os primeiros passos em Alvalade, Jesus, recorde-se, fez questão de explicitar um dos princípios que o norteia: "Se um presidente quiser que eu faça parte da estrutura, não vale a pena contratar-me. Mas se quiser um treinador que pense e monte a estrutura, pode contar comigo". Pois bem, o futebol de hoje assenta na multidisciplinaridade. Jorge Jesus é só um grande treinador. Não é o Super-Homem.
