Mourinho não podia esperar
1 Paris Saint-Germain e Bayern Munique seriam, nesta fase, os clubes ideais para José Mourinho retomar a carreira, depois de quase um ano de interregno e de uma experiência relativamente mal sucedida no Manchester United... onde ainda conquistou uma Liga Europa, uma Supertaça e um Taça da Liga. Franceses e alemães, principalmente os primeiros, não têm qualquer problema em ganhar os respetivos campeonatos e, pela profundidade dos plantéis que apresentam, arriscam-se mesmo a discutir a Liga dos Campeões. O treinador português precisa, como é óbvio, de voltar para ganhar. PSG e Bayern garantir-lhe-iam, pelo menos no plano teórico, tais títulos, funcionando ainda a Champions como um bónus, pois ninguém lhe exigiria uma proeza de tal envergadura logo no ano de estreia. Mas Mourinho não quis esperar e aceitou a proposta do Tottenham. Talvez tenha feito bem se analisarmos o caso de determinada perspetiva. Em primeiríssimo lugar, um técnico, mesmo da sua estirpe, não poderia permanecer muito mais tempo no desemprego, sob pena de se desatualizar ou de pura e simplesmente cair no esquecimento. Os spurs têm, por outro lado, uma equipa de qualidade mas encontram-se, sem dúvida, aquém de Liverpool e Manchester City, sobre os quais, aliás, já têm uma significativa desvantagem pontual na Premier League. Na Liga dos Campeões, e apesar do estatuto de vice-campeão, a exigência é também reduzida face ao poderio da concorrência. O problema da cobrança e da exigência pode colocar-se, isso sim, num futuro próximo, até porque Mourinho prometeu lutar pela liga inglesa já em 2020/21. Mas, pese embora a valia dos adversários, principalmente no plano interno, será que os responsáveis do Tottenham vão resignar-se eternamente a um plano de subalternidade na liga inglesa? Para já, sim. Veremos se haverá uma ambição renovada com o consequente investimento num plantel que é bom mas não excelente.
