Muito mais pobres

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Há dois anos que não ganhava uma grande volta. Aliás, quase já nem as discutia, pese embora o currículo invejável com que ontem abandonou o ciclismo. Num passado recente, e mesmo vendo os rivais subirem constantemente ao pódio, Alberto Contador nunca optou pela reforma dourada. Continuou a ser ele o grande animador das etapas das principais provas, apesar de serem os adversários a tirarem o maior proveito.

Ainda no ano passado, foi num ataque do 'Pistolero' que a Vuelta ficou de pantanas, para gáudio de Quintana e para mal dos pecados de Froome. Agora, voltou a ser Contador, mesmo com muito tempo perdido logo no início, fruto de uma indisposição, a dar à competição espanhola toda a espetacularidade que ela merece.

Enquanto uns optam pela tática, pela contenção ou se escudam nos companheiros de eleição que possuem, Contador nunca teve medo de falhar. E deu uma última prova disso mesmo no inferno do Angliru com um ataque ainda no sopé da montanha.

O ciclismo perdeu ontem não só um campeão como o seu intérprete mais espetacular.   

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