Vieira hegemónico
A hegemonia é um termo dúbio. No futebol, em particular, não se torna fácil aplicar a palavra sem deixar dúvidas ou suscitar a discussão. O FC Porto, em determinado período, foi hegemónico em termos absolutos, enquanto o Benfica está apenas a sê-lo.
A verdade é que Luís Filipe Vieira, a partir do momento em que traçou o objetivo de alcançar a tal hegemonia no futebol português, tornando-o público no final da época 2012/2013, depois de mais um campeonato perdido para o FC Porto, atingiu essa meta pelo menos em termos relativos. As três ligas conquistadas, além de várias outras competições intramuros, podem não ser suficientes para se aplicar o supracitado termo de forma indiscutível, mas têm conferido ao Benfica uma superioridade inquestionável sobre os rivais e deixado o seu presidente com a imagem de alguém que deixou a megalomania (a dos 300 mil sócios, por exemplo) para definir alvos ambiciosos mas também alcançáveis.
Sem ponta de contestação, Vieira perfila-se assim para um quinto mandato, onde não terá certamente oposição. É um presidente com obra feita, que recuperou a credibilidade do clube, depois de Manuel Vilarinho ter resgatado o Benfica a Vale e Azevedo, e, acima de tudo, começou a conquistar títulos, tanto no futebol como nas outras modalidades. Falta-lhe, no entanto, equilibrar as contas, o que já não conseguirá fazê-lo nos próximos quatro anos. O Benfica está bem desportivamente, o que agrada aos adeptos, mas, em termos financeiros, há um longo caminho a percorrer.
