(In)comparável

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"Não há lances iguais". Esta frase é muito utilizada no futebol, mas, quando dá jeito, há sempre quem faça as comparações que mais convém para defender as suas posições. Não vejo qualquer problema em fazer-se comparações em lances ‘idênticos’, desde que comparem todos os fatores que a lei prevê para a tomada de decisão. Há quem, deliberadamente, misture conceitos para enganar quem menos entende das leis de jogo, ou melhor, quem tem o conhecimento empírico fruto dos muitos anos a ver e discutir futebol. Todo esse (des)conhecimento pode ser traiçoeiro quando batemos de frente com quem tem conhecimento da lei, mas é muito eficaz quando se debita informação errada para um público ‘iletrado’, sedento de filtrar a informação que interessa só para defender, muitas vezes, o indefensável. Todas as semanas confirmamos que a maior parte dos jogadores, treinadores, presidentes, comentadores, ex-atletas, jornalistas, etc... não conhecem as leis de jogo, mas mesmo assim querem que a sua opinião se transforme em lei com argumentos do tipo: "Já ando nisto há muitos anos", "já vi muita coisa no futebol", "eu sei como se fazia no meu tempo". Enfim, argumentos antigos que muitos insistem em trazer para o futebol moderno. A experiência é importante, até mesmo no futebol, mas não faz ninguém ‘expert’ na matéria nem muito menos equivale a um doutoramento onde a palavra seja lei. As opiniões são livres e positivas, mas quando são parciais e com agendas próprias são perfeitamente dispensáveis.

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