40 faltas! Até quando?
Há um longo caminho a percorrer para aumentar o tempo útil de jogo no futebol português. Esse tem sido um dos principais objetivos da UEFA e do IFAB ao longo dos anos, mas no nosso país esse objetivo está longe de ser alcançado. Os árbitros têm uma boa parte de responsabilidade nessa mudança, mas não depende só da estrutura da arbitragem. Todos os agentes desportivos são responsáveis por contribuir para alcançar esse objetivo. A subjetividade das leis de jogo abre espaço para a interpretação de cada um na tomada de decisão. Esse fator contribui para que, em lances aparentemente iguais, existam decisões diferentes, mas ao mesmo tempo corretas perante as leis. A constante pressão sobre os árbitros influencia os seus desempenhos e ‘obriga’ muitas vezes a um apertar de critérios como forma de se protegerem. Quanto menos tempo útil de jogo existir, menor é a possibilidade de os árbitros cometerem erros. Por isso assistimos a jogos com mais de 40 faltas, sobretudo a acontecerem no meio-campo, como forma de impedir que a bola chegue às áreas, evitando também com isso as decisões mais difíceis. A diminuição da pressão sobre a estrutura influenciará os desempenhos dos árbitros, deixando-os mais livres e confiantes para intervirem menos. A responsabilidade é de todos e não exclusiva da arbitragem.
