A estrutura montada pelo Conselho de Arbitragem tem uma dimensão desadequada da realidade. A exemplo do que acontece com a direção da Federação Portuguesa de Futebol, o Conselho de Arbitragem andou a distribuir convites a todos aqueles que entendia terem uma ‘dívida de gratidão’ pelos serviços prestados durante a campanha eleitoral e, num momento crítico da campanha, quando houve a necessidade de convidar mais alguns elementos que se preparavam para aceitar o convite da lista adversária. A estratégia é válida, mas ’obrigou’ o Conselho de Arbitragem a distribuir cargos a pessoas que em nada contribuem para a melhoria da arbitragem. Foi criada a direção técnica de arbitragem para um homem só, uma lista de mentores que inclui ex-árbitros que nunca foram internacionais, nunca dirigiram um dérbi ou clássico ou nunca dirigiram qualquer final. O papel dos árbitros torna-se muito mais difícil quando recebem instruções confusas. O exemplo mais visível é quando atribuem satisfatório ao árbitro, quando este altera a decisão após intervenção do VAR, e classificam como insatisfatória a intervenção do VAR no mesmo lance. Os árbitros precisam de estabilidade para desempenharem as suas funções e não podem estar sujeitos à opinião de qualquer um. A arbitragem precisa de pessoas competentes que não abdicam dos seus valores em troca de cargos inócuos.