Arbitragem ao Raio X

Marco Ferreira
Marco Ferreira Antigo árbitro

Confiança q.b.

No passado, ainda sem VAR, todos os árbitros confiavam nos seus colegas de equipa? Esta questão raramente se colocou. Normalmente, numa situação de jogo quando era dada a informação e/ou sinalética (visível) de um elemento da equipa para o árbitro, este agia em conformidade. Realcei ‘visível’ porque era isso que fazia a diferença na ‘confiança’ existente, ou seja, a decisão seria sempre associada a quem fez a sinalética e não ao árbitro. Em situações em que a informação era ‘invisível’, por exemplo através do sistema de comunicação, muitos árbitros ignoravam para não terem de assumir uma decisão difícil. Confiança é incompatível com a realidade da nossa arbitragem. Um sistema com classificações individuais não pode exigir ‘confiança’ entre os elementos da equipa de arbitragem. Todos eles estão a trabalhar para classificações individuais, independentemente do sucesso/fracasso do trabalho de toda a equipa. Num jogo onde um erro grave teve influência direta no resultado final, ainda é possível existirem elementos da equipa com notas muito positivas, sendo punido somente quem foi o responsável pela decisão errada em causa. Será justo chamar ‘equipa de arbitragem’ quando situações destas acontecem? Esta realidade potencia o divisionismo e a hipocrisia na arbitragem. Na última jornada, voltámos ao passado quando uma situação clara e inequívoca de cartão vermelho passou impune. Sendo apelidados como ‘equipa de arbitragem’, todos os elementos sem exceção deviam ser punidos pelo erro cometido e ninguém pode sair desse jogo a ‘ganhar’ pelo ‘seu’ trabalho quando toda a arbitragem ficou a ‘perder’. Alterar os regulamentos, voltar às equipas fixas e atribuir nota final conjunta à equipa de arbitragem seria mais justo e acabaria com a "confiança q.b."

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