Critérios e critérios
O critério sempre foi um problema na arbitragem portuguesa. Com a introdução do vídeo-árbitro, assistimos a uma nova realidade: se antes dependíamos do critério de um árbitro, atualmente dependemos do critério também do VAR que estiver a desempenhar essas funções. Muitas críticas feitas ao vídeo-árbitro são injustas, principalmente quando o ‘critério’ é o fator decisivo. Todos nós sabemos que o árbitro principal é quem tem a última palavra no momento da decisão e dele também depende o critério utilizado. O VAR não pode intervir em situações cinzentas, onde será o critério do árbitro a tomar a decisão. O encontro no Estádio do Bessa espelha bem a dificuldade que o vídeo-árbitro tem em corrigir algumas decisões do árbitro. Foi uma partida em que o critério técnico utilizado deu margem para alguns contactos e disputas de bola mais duras dentro da chamada zona cinzenta na subjetividade das Leis de Jogo. O vídeo-árbitro, ao analisar essas situações, nivela a sua intervenção consoante o critério do árbitro, mas corre riscos caso o árbitro principal decida mudar a sua interpretação, alterando com isso o critério utilizado também. Nestas situações, o VAR continua a não poder intervir porque o árbitro é sempre soberano nas suas interpretações e decisões. A mudança radical de critério no jogo do Estádio do Bessa influenciou negativamente o resultado e impediu a intervenção do vídeo-árbitro. Já no Estádio da Luz tivemos um jogo intenso em que ficou bem patente o critério utilizado nos lances de ‘bola na mão’ e que o árbitro manteve mesmo até ao final do encontro, independentemente das equipas e do resultado. As características (pessoais) que definem o critério a utilizar não estão escritas nas Leis de Jogo, mas, isso sim, na lei da vida, na qual não existe espaço para vídeo-árbitro. *
