Culto de violência

Portugal é considerado um país seguro. A população, apesar de ser crítica, mantém sempre os limites do aceitável em todas as manifestações nas quais decide pronunciar-se. A imagem dos agricultores a conviverem, enquanto fechavam estradas em todo o país, era bem diferente da violência dos seus congéneres no resto da Europa. Somos contestatários, mas não violentos, somos competitivos, mas sabemos reconhecer a nossa dimensão, sabemos transformar dificuldades em oportunidades. No desporto, mais concretamente no futebol, tudo é diferente. É um mundo paralelo no qual todos os valores morais e éticos desaparecem em nome da defesa de um símbolo, de uma instituição específica, de uma cultura própria, tudo se torna mais fácil quando se esvazia o cérebro e entramos numa hipnose controlada por cartilhas, por gente sem rosto que domina as redes sociais, pela cultura de ódio que os clubes insistem em promover todos os dias. As instituições fazem questão de ignorar esta realidade, fazem regulamentos que incentivam à reincidência, nada acontece, nada é feito, tudo é permitido. Os árbitros sempre foram os principais alvos, muito fáceis de descredibilizar e perfeito para serem os culpados dos insucessos. Num ambiente destes há sempre o risco de a besta se virar contra os seus criadores. Quando isso acontece aparecem logo os falsos moralistas a identificar um grave problema de violência no futebol português. Cegueira seletiva...

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