Dignidade desportiva

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Debruço-me sobre o lance marcante da ronda, que envolveu Nanu. É inadmissível num momento tão delicado para o jogador, que ficou lesionado gravemente, assistir à discussão, em campo, da questão técnica e da hipotética infração. Naquele momento, o mais importante em campo era, sem dúvida, o bem-estar do atleta e não o possível erro do árbitro. Este caso devia merecer uma reflexão de alguns agentes desportivos nas prioridades em relação ao futebol. A vida é sempre mais importante do que um possível penálti. São moralmente condenáveis as imagens que foram lançadas na sociedade desportiva, com fotos que desvirtuavam a realidade. Em nenhum momento as luvas do guarda-redes tocaram na cabeça do adversário. O contacto aconteceu cabeça com cabeça num momento que ambos tentavam chegar à bola, que já lá não estava. O vídeo que circulou do mesmo guarda-redes num jogo com o Marítimo é tentar comparar o incomparável. Nesse caso, o jogador do Marítimo chega primeiro à bola e é derrubado pelas pernas do guardião fora da sua área. Não se tratou de um choque entre jogadores, mas de uma rasteira que impediu uma clara oportunidade. Uma palavra de consideração para os atletas, colegas e adversários, que no momento alertaram para a gravidade da lesão, valorizando com isso a vida humana em detrimento de interesses desportivos.

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