Lealdade para dar e vender
Ninguém é obrigado a ser árbitro, mas quem opta por dedicar grande parte da vida ao setor tem de ser leal à causa e abdicar de uma vida boémia que alguns ‘amigos’ podem proporcionar. A carreira de árbitro é difícil para quase todos, principalmente para aqueles cuja família nunca teve ligada à arbitragem e/ou ao futebol, para esses tudo é muito mais complicado em detrimento de outros que basta aparecerem para terem logo uma estrutura montada para um caminho bem mais facilitado. A meritocracia fica ferida de morte quando o sucesso depende, sobretudo, dos amigos e da lealdade perante quem tem o poder de influenciar uma ‘boa’ gestão de carreira. Felizmente, e após alguns casos judiciais, tudo foi mudando lentamente, nunca esquecendo que grande parte das pessoas que alimentavam e alimentavam-se do sistema ainda andam por aí. O atual quadro de árbitros levou demasiado tempo a ser criado devido aos condicionalismos existentes nos sucessivos regulamentos de arbitragem aprovados pelos clubes. Era urgente um rejuvenescimento do quadro sem os vícios do passado. Todos são culpados, aqueles que não tiveram coragem de enfrentar os poderes instituídos, aqueles que aproveitaram os ‘amigos’ para se autopromoverem e aqueles que usam o poder como bilhete de entrada para os ‘banquetes’ em vez de combatê-los. Já dizia o velho ditado: "Se não podes vencê-los, junta-te a eles." É sempre preciso salvaguardar o futuro...
