O protagonismo que calou a arbitragem
O fim dos programas televisivos e da publicação das classificações dos árbitros não é novidade, como também não foi novidade quando, na época passada, quiseram ‘vender’ como grandes decisões que vinham revolucionar o setor. A grande alteração foi entregar a comunicação ao diretor técnico, alimentando um excesso de protagonismo, onde se confundia quem liderava o setor: quem tinha sido eleito ou quem tinha sido ‘imposto’ pela Federação. Essa liderança não agradava aos árbitros, por um lado alguém que açambarcava toda a imagem da arbitragem e, por outro, o conselho de arbitragem que fazia o trabalho de forma discreta. O choque era inevitável, mas é preciso não esquecer que o ‘decreto’ que terminou com os programas televisivos foi emitido ainda na era bicéfala e, nessa altura, ninguém dentro da estrutura veio criticar. A pior época de sempre do setor não foi por acaso, as decisões tomadas pela direção da FPF cultivaram a discórdia entre duas frentes que deveriam trabalhar em conjunto, mas estavam em lados opostos. Criaram um Conselho de Arbitragem, sem qualquer rigor, com elementos cujo histórico de chumbos em provas físicas/escritas devia ser impeditivo de assumir qualquer cargo diretivo. Na altura, presidentes de grandes clubes limitaram-se ao escárnio na tomada de posse do Conselho de Arbitragem, atualmente, de costas voltadas, as gargalhadas deram lugar às críticas habituais. Há demasiada hipocrisia no futebol português.