Tiro no escuro
A gestão internacional que o antigo Conselho de Arbitragem optou por fazer colocou em causa todo o investimento feito no sector e comprometeu, a médio e longo prazo, toda a arbitragem portuguesa. A obsessão por aparecer nas instâncias internacionais tornou-se o objetivo principal em detrimento da continuidade do desenvolvimento da arbitragem a nível interno. A reestruturação, em que a meritocracia deveria ter sido o fator diferencial, foi assente em regulamentos, muitas vezes discriminatórios, que valorizavam sobretudo a idade e o conhecimento da língua inglesa. A ‘famosa’ academia de arbitragem, sonho de uma só pessoa, transformou-se num colégio de árbitros sem experiência, mas bem-falantes da língua de sua Majestade. A vontade de exibir a ‘qualidade’ e o ‘sucesso’ da academia de arbitragem, juntamente com a necessidade de completar o quadro FIFA, motivou a tentação de indicar, para internacionais, árbitros sem experiência no futebol profissional, muitos com menos de uma época na Liga, que nunca tinham dirigido jogos dos principais clubes portugueses, mas, todos eles, ‘craques’ no inglês. A pesada herança boicotou todo o trabalho do atual Conselho de Arbitragem e, sem dúvida, levará anos para reverter a situação. Um tiro no escuro que se revelou fatal para a qualidade da arbitragem.
