Depois dos erros, a obrigação de mudar

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Fazer as mesmas coisas e esperar resultados diferentes raramente dá bom resultado. Infelizmente, esta velha máxima explica muito do que foi a época do Benfica. A repetição de erros, dentro e fora de campo, resultou em mais um ano de insucesso desportivo, agravado pela ausência da próxima Liga dos Campeões e do futuro Mundial de Clubes.

Estar fora da Champions fere também as finanças do clube. Falhar esta competição agravará um défice de exploração já elevado e voltará a pressionar a venda de jogadores. Este é o ciclo que temos de quebrar.

O Benfica precisa de recuperar estabilidade para voltar a ser dominante. Em cinco épocas, passaram cinco treinadores e demasiados jogadores sem impacto desportivo ou valorização relevante. É muito tempo sem uma visão clara e duradoura para o futebol.

Há épocas em que se ganha e há épocas em que se aprende. Esta tem que ser de aprendizagem. É nos momentos maus que devemos estar mais unidos, mas isso não significa apoio cego ou negligente. Antes um apoio construtivo, que não abdica do espírito crítico. Todos somos responsáveis por ajudar a corrigir o rumo quando percebemos que seguimos por um caminho perigoso.

O futuro do Benfica exige quatro prioridades.

1. Formação como aposta na equipa principal;

2. Plantel estável e menos rotatividade;

3. Scouting focado em talento acessível e competitivo;

4. Um treinador de projeto, capaz de executar uma ideia de jogo alinhada com a identidade do clube. Sem estabilidade, continuaremos dependentes de vitórias ocasionais.

A próxima época parece um castigo, mas é uma oportunidade. Um projeto desportivo claro e alinhado com uma redução de custos pode servir para recentrar o clube no essencial e garantir sustentabilidade.

José Mourinho disse há dias que, mesmo fazendo tudo bem, isso pode não chegar. Os erros de arbitragem dos últimos anos custaram pontos, títulos e milhões ao Benfica. Se todos temos consciência disto, é fundamental que a reação seja mais do que indignação avulsa. Não podemos esperar pelo próximo ataque ao Benfica. O Benfica deve liderar o debate da transparência: divulgação dos áudios do VAR, avaliação independente, critérios públicos para os árbitros e decisões mais rápidas. Para mudar, é preciso começar agora.

O Benfica tem de fazer mais, sem dúvida. Tem de jogar mais, e jogar melhor. Mas tem de jogar em campos que não estejam permanentemente inclinados. E este combate é para ser travado custe o que custar.

Sou Benfiquista e não posso estar satisfeito. Conquistámos apenas um título nacional nos últimos cinco disputados. É preciso muito mais. A partir daqui, o único caminho admissível é chegar ao 39 já na próxima época e criar as condições para um Benfica consistentemente vencedor e financeiramente forte.

A grandeza do Benfica também se mede na capacidade de aprender com os insucessos. Só voltaremos aos títulos se transformarmos esta época numa oportunidade para mudanças reais.

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