Palavras ditas e palavras dadas

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Debaixo de fogo como nunca, Pinto da Costa desceu do pedestal e deu uma entrevista à SIC, a vários títulos relevante, tanto mais quanto, logo a seguir à sua transmissão, mais uma vez a casa de André Villas-Boas foi alvo de excursão punitiva. Alguns observadores (eu não, que não vi a entrevista) notaram que o eterno presidente portista acusava o peso da idade e o desgaste do mando, os sinais inevitáveis da decadência dos ditadores iluminados, na forma como falava e na repetição sem eco de frases feitas já sem efeito e humor gasto já sem circulação pelas confeitarias do Porto. Declarou-se surpreendido por haver uma candidatura que o desafiava, surpreendido por haver quem o tenha criticado por ter assistido impávido aos desacatos na AG do clube, pois que ele não é presidente da mesa da AG, assegurou que ninguém visita o museu do clube para consultar os extractos bancários mas para ver os troféus armazenados, declarou a sua admiração pelo Dr. Fernando Madureira, cuja função de líder da sua guarda pretoriana desconhece e subliminarmente avisou que Sérgio Conceição só continuará como treinador se ele próprio continuar como presidente – o seu grande trunfo eleitoral. Quanto a este ponto, as eleições, fazendo gáudio de prolongar aquele ridículo tabu que se sucede em todas as eleições, disse que ainda não tinha tomado uma decisão, mas que esta iria depender de três factores: a passagem da equipa aos oitavos-de-final da Champions, a passagem dos 119 milhões de capitais negativos a positivos até ao fim do ano e o lançamento da primeira pedra do futuro centro desportivo do FC Porto na Maia nos próximos meses. À parte o contributo do Dr. Fernando Madureira, todos estes factores dependem do contributo dos dois outros sustentáculos da arruinada presidência de Pinto da Costa: o treinador e a Nossa Senhora de Fátima.

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