Como rebentar com o FC Porto
1 - Mesmo antes de tomar posse na SAD, André Villas-Boas já teve de abrir os cordões à bolsa e inventar dinheiro para pagar os salários de Abril aos funcionários do clube - entre os quais os jogadores de futebol, a quem se pedia a conquista do terceiro lugar e da Taça de Portugal. Sem um pingo de vergonha a perturbar-lhes o sono, os ainda administradores da SAD não abrem mão dos seus cargos, do seu estatuto e, presumo, dos seus vencimentos, impedindo a nova direcção eleita de aceder à gestão e começar a urgente tarefa de acorrer aos vários incêndios que já se percebeu que ali estão à beira de deflagrar. Porque quiseram tanto agarrar-se ao lugar até ao último dia possível é coisa que só eles saberão ao certo, mas que não foi para deixar o navio limpo e em condições de navegar tranquilamente, isso é cristalinamente claro. Para eles, Villas- Boas ainda não tem legitimidade para começar a governar, excepto se for para pagar as contas inadiáveis que eles não pagam. Inversamente, a sua continuada presença à frente dos destinos da SAD é essencial, mas não para pagar contas. Será para quê, então – para contrair novas despesas, ocultar outras, assumir compromissos irrevogáveis que amarrem a nova direcção contra a sua vontade? Para rebentar com o novo FC Porto que vai começar no dia 28, sem ter de esperar que sejam os assalariados de Frederico Varandas a fazê-lo no Jamor?