O natural e o excepcional
1- À sexta jornada da Liga, Vítor Bruno foi finalmente ao encontro do senso comum e da vontade consensual dos adeptos portistas, apresentando em Guimarães o melhor onze disponível do FC Porto actualmente. Isto é, o mais natural: os melhores jogadores em cada posição e cada um na sua posição óbvia, abandonando fidelidades pessoais, seguramente justificáveis para ele mas incompreensíveis vistas de fora. Não o fez, porém, sem estrebuchar, prévia e mesmo posteriormente, passando a ideia de que cedera sem estar convencido. Mas, caramba, duas alterações, pelo menos, eram tão necessariamente evidentes que não havia mais como continuar a adiá-las: as saídas de Otávio e Namaso e as entradas de Zé Pedro e Samu. O caso de Otávio não era apenas evidente pelo desastre que tinham sido as suas últimas prestações e o constante sobressalto em que mantinha a retaguarda portista, mas também pela injustiça gritante que era o facto de, para o colocar a jogar, manter de fora Zé Pedro, que vinha sendo o melhor central da equipa, como voltou a prová-lo em Guimarães. Com Zé Pedro de regresso no lugar de Otávio e ao lado de Nehun Pérez, tudo mudou como da noite para o dia e o FC Porto não concedeu uma única oportunidade de golo ao Vitória. No caso de Namaso, mesmo admitindo que Samu ainda não esteja em plenas condições físicas e de adaptação à equipa, estava a tornar-se incompreensível que ao cabo de cinco jornadas o mais caro investimento dos portistas esta época permanecesse sentado no banco, enquanto Vítor Bruno continuava a investir em Danny Namaso – que não é mau jogador, mas também não é ponta-de-lança, sem golo, nem remate, nem presença na zona de remate. E a justificação do treinador – "a obsessão pelos números leva a crucificar os avançados que não fazem golos" – é absurda. Por que haveremos então de classificar os pontas-de-lança senão pelos golos que marcam? Porque venerávamos o Jardel, o Falcão, o Domingos, e agora quedamos mudos perante Gyökeres? Certo que Samu não é Gyökeres, mas também tem menos seis anos que o sueco e uma grande margem de crescimento pela frente. Mas já deu para perceber que é um jogador de remate fácil e pensado e a verdade é que em pouco mais de 100 minutos em campo já facturou três golos e deu 4 pontos ao FC Porto. Eis como as mais elaboradas teorias caiem perante os mais simples factos.