Para onde foi o bom futebol?
1 - Um dos principais handicaps do Benfica - e trunfos da concorrência - é a facilidade com que sonha alto e depois se contenta com pouco. Actualmente, qualquer jogador acabado de emergir do Seixal ou de desembarcar do estrangeiro é imediatamente classificado como um fora de série e avaliado em 100 ou 120 milhões. E todos os anos o Benfica é "indiciado", para usar uma expressão em voga, como um potencial candidato a conquistar a Champions, de tal forma é manifesta a riqueza do plantel que tem. Este ano e 70 milhões de aquisições depois, lá se repetiram os ‘indícios’, sempre alimentados por uma imprensa subserviente que, em minha opinião, lhe causa mais mal que bem. E assim, volvidas quatro jornadas da Champions com zero pontos conquistados e podendo apenas aspirar a um lugar na Liga Europa, o Benfica recebeu na Luz a equipa B do poderoso Inter. Eu tinha avisado aqui sobre o Inter, depois de o ter visto desfazer o Milan, e mais tarde voltei a vê-lo fazer o mesmo à Juventus (e este domingo em Nápoles) e sabia que aquele não era o verdadeiro Inter. Mas ouvi o relato da primeira parte na rádio e em nenhum momento o entusiasmo da locução, aliado ao entusiasmo das bancadas com o 3-0, deram a entender que o adversário não era o líder do campeonato italiano, mas sim a sua reserva. Depois, bem, depois bastou que Inzaghi fosse metendo a conta-gotas algumas das suas estrelas - Di Marco, Barella, Thuram, Lautauro Martínez - e toda a verdade veio ao de cima, só graças à barra e a cinco minutos menos de atraso na reacção e o sonho teria acabado em nova derrota.