Todos felizes
1 - Aproveitem este período em que os adeptos dos principais clubes andam todos felizes, pois que a felicidade é como a saúde: um estado provisório que não augura nada de bom. Andam felizes os sportinguistas com os seus 19 golos marcados em cinco jornadas e um futebol de alegre e constante massacre que, por ora, leva tudo à frente (e julgo, confiadamente, que terá chegado também para o Lille, ontem à noite). Andam felizes os portistas, com renovadas esperanças que os levam a encher o Dragão, jogo após jogo, para verem os reforços, na medida em que Vítor Bruno lhes consinta esse prazer. Andam agora felizes os benfiquistas, a quem bastou uma vitória caseira de Bruno Lage contra o modesto Santa Clara para soltar a sempre pronta euforia benfiquista. Mas têm duas razões para tal: uma chama-se Aktürkoglu, à vista desarmada uma grande aquisição da 25ª hora, e a outra chama-se normalidade: pôr os jogadores certos a jogar nas posições certas, coisa que estranhamente muitos treinadores têm aversão ou dificuldade em fazer. E andam ainda felizes os fantásticos adeptos do Vitória de Guimarães, com um começo de época que regista 10 vitórias em 11 jogos e o segundo lugar da Liga a par do FC Porto. Depois do saboroso triunfo sobre os rivais de Braga, na Pedreira, para a semana temos um escaldante Vitória-FC Porto, que deixará feridas no vencido e asas no vencedor. Este é, pois, um breve período de alegria geral que não se repetirá tão cedo e que apenas exclui os adeptos bracarenses – mas, apesar de tudo, não é de esperar que António Salvador se abalance já para despedir também Carlos Carvalhal.