Um filme triste
Com um discurso atabalhoado e inconsequente, André Villas-Boas anunciou à nação portista que um dia, em S. Petersburgo, teve uma revelação, seguida de um sonho: o de vir a ser presidente do FC Porto. Martin Luther King também teve um sonho e a coragem de ir atrás dele desde logo, coragem essa que lhe custaria a vida, num atentado em Memphis. Mas Andrés Villas-Boas, de quem os portistas guardam as mais gratas e breves recordações como treinador - (num ano, ganhou tudo: campeonato, Taça e Liga Europa) - não tem, aparentemente, pressa em lançar-se à conquista do seu sonho. Muito embora também ele verifique que o clube caminha para a falência e está em descontrole de gestão, parece mais disposto a esperar que o poder lhe cai, morto ou podre, nos braços. Não pode comprometer-se a avançar já para o ano, ou daqui a quatro ou quando lhe parecer mais conveniente. É pena, porque o que se vai seguir é um filme já tão gasto que não serve nem para ser exibido numa matinée de cinema de bairro. Daqui a uns meses, reune-se aquele grupo de jarretas, sempre os mesmos, intitulado 'Comissão para a Recandidatura de Pinto da Costa' e, fingindo-se muito preocupados com as hesitações do eterno presidente, convidam-no para um almoço, onde, após épicos discursos, o hesitante, conformado, lá acaba por dizer que, não vendo ninguém capaz de pegar nos destinos do clube, enfim, está disposto a mais uns anos de "sacrifício". E lá junta o seu grupo de cinco fiéis escudeiros, sempre os mesmos também, para continuarem a gerir o clube e a SAD da única forma que sabem: sentados à espera de aumentar o passivo com novos empréstimos obrigacionistas e a enfraquecer o património, vendendo os melhores jogadores. Entretanto, e porque há quem esteja ali para os despojos dos negócios de Jorge Mendes e para acalmar alguns sócios menos atentos, vão fazendo compras de refugo a preços de futuras vedetas - tipo Loum, Carraça, Fernando Andrade, David Carmo e um rol de outros cuja folha de pagamentos dava para manter todos os anos dois ou três dos verdadeiramente bons.