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Os meus comentários e a minha análise sobre o último Benfica x Porto, a que todos assistimos no passado fim de semana, ficaram facilitados após a conferência de imprensa de José Mourinho, no final do jogo.
Farioli fez muito mais do que arrancar um empate na Luz, fez reconhecer ao adversário que o Porto ainda é hoje uma estrutura forte, com redobrada ambição e comandada por um jovem treinador de 36 anos.
Mourinho sentiu-se derrotado pelo empate e abriu o coração ao alertar de novo que este Benfica é uma casa mal construída com tiques de um novo-riquismo.
Sobre este Porto, Mourinho afirmou que “é uma equipa de uma fisicalidade tremenda e, honestamente, são muito superiores a nós na intensidade”.
E mais disse, “levam um resultado bom, mas vieram aqui para ganhar”.
Mourinho sabe que só o Porto teria coragem para ir jogar à Luz com tamanha determinação.
Só mesmo o febril Dr. Varandas para nos chamar de cobardes (na figura do nosso Presidente) e de acusar o Porto de não jogar nada.
Rafa desapareceu, Pavlidis quis dar um ar da sua graça no último minuto de jogo ao tentar enganar João Pinheiro num falso penálti e Otamendi, depois de ficar sentado ao ver um menino de 17 anos fazer um golo genial à sua frente, já deve ter entregue os papeis para a reforma na segurança social.
Este Benfica bipolar parece só jogar para o prémio de jogo e pouco mais. Entregam-se na Champions, onde a moeda é forte, e desleixam-se nas competições internas, onde os valores dos prémios apenas fazem cócegas aos salários que auferem.
Este Porto só não saiu da Luz com o campeonato no bolso porque Farioli procurou o 3-1 com gula, equivocando-se em campo com duas substituições. Primeiro, quando colocou Francisco Moura em campo, ao invés de fazer entrar para o eixo da defesa Pablo Rosário ou Thiago Silva, reposicionando Kiwior a defesa esquerdo.
Segundo, quando retirou Gül e não colocou Mora, numa altura em que a equipa precisava de segurar bola e partir para o ataque com rapidez. Moffi não poderia dar nenhum desses dois desígnios quando o jogo mudou de tendência.
Mourinho ajoelhou-se, mas caiu de pé com a suas declarações.
Por Nuno Encarnação