_
Confesso que me preocupam as recentes contas da FCP SAD apresentadas pelo dr. Fernando Gomes. Não consigo ter a calma olímpica do douto dr. Gomes (em exercício de funções desde 2014), quando apresenta, pelo terceiro ano consecutivo, valores negativos na ordem dos 122 M€ (28,4 M€ em 2018; 35,2 M€ em 2017; e 58,4 M€ em 2016).
O FC Porto tem uma estrutura de custos fixos que não é coberta pela receita captada e gera valores negativos anuais assinaláveis. Não há nenhuma empresa que consiga viver assim perpetuamente. Para além disto, o passivo aumentou cerca de 77 M€ no último ano, para um valor nunca antes visto de 464 M€.
Podemos ter fé de que os resultados do próximo ano sejam diferentes, se acreditarmos que o Porto encaixará 60 M€ na Champions (caso chegue aos ‘oitavos’), e que venda cerca de 70 M€ (sendo que só devem entrar no clube 50 M€) em jogadores até final da próxima época. E se o FC Porto não conseguir concretizar este nível de receita todos os anos?
Não é preciso ser um génio da lâmpada para se perceber que terá de passar por baixar os custos fixos, e já agora, não deixar sair bons jogadores a custo zero, como foram os casos de Marcano e Reyes. Quanto aos custos, os mesmos subiram para 133 M€ (em 2014 eram de 110 M€). A ajudar à festa, ficámos todos a saber que os administradores foram aumentados em 190 m€ anuais. Bola ao poste, diria eu.
Quanto a saídas a custo zero, a repetição parece certa, desta vez com Herrera, Brahimi e Adrián. No caso de Brahimi a questão será mais grave, não só poderá sair a custo zero como ainda teremos de pagar à Doyen cerca de 6,5 M€ pela compra de parte do seu passe.
Se no campo desportivo o Porto está de parabéns, ao conseguir ser campeão no ano passado, no plano financeiro não. Estas contas à ‘Gomes de cá’, não agradam. Não vejo no discurso a diminuição de custos como prioridade, mas apenas a crença colocada no aumento das receitas.
Está na altura de o Presidente Pinto da Costa tomar medidas para inverter esta tendência deveras negativa e preocupante. Sem alegrias financeiras também não teremos alegrias desportivas. Se achar que deve contratar um ‘Messi’ para as finanças do nosso clube, faça-o já, amanhã pode ser tarde demais.
Por Nuno Encarnação