Nuno Félix
Nuno Félix Scout internacional

Eduardo Quaresma: o anjo rebelde que pode ter dado o nome ao campeonato

Caso o Sporting, ao fim de tantos incidentes e desmandos, for campeão - quase por milagre (atrevo-me dizer) - este campeonato será o título de São Vitkor Gyorkeres. No entanto, após a aparição do Anjo Eduardo Quaresma ao minuto 90+3 da partida de ontem, não arrisco apostar por quem os corações dos sportinguistas batem hoje mais forte. Se por um é um amor antigo, pelo outro é uma retumbante paixão.

Há jogadores que nascem com talento. Outros fazem-se à força da resiliência e de um enorme coração. Eduardo Quaresma é um caso em que todas as graças se unem, para o bem e para o mal, tantas vezes de forma explosiva. E ontem Alvalade veio mesmo a baixo nos últimos minutos de um prolongamento que se esgotava e com ele confiança na revalidação do título já na próxima semana na casa do eterno rival.

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Aos 22 anos, o central do Sporting está finalmente a cumprir as promessas que lhe vi aos 17. Recordo de, há já alguns anos, numa tertúlia futebolística para a qual havia sido convidado na minha qualidade de scout terem-me pedido a minha opinião sobre aquele que era então a grande promessa da Academia de Alcochete, o Joelson Fernandes. Para surpresa de muitos disse que o grande jogador de futuro para a turma de Alvalade jogava mais atrás, na defesa, e nem era alto nem forte, era apenas um predestinado com uma imensa alegria de jogar à bola.

Hoje a sua titularidade na primeira equipa que não me impressiona, nem a forma como o faz: sempre com um grande dose de autoconfiança que mistura com uma muito positiva agressividade, e uma técnica refinada que aplica ao jogo nos limites da sua missão.

E o público retribui. Sabe que ele não é apenas mais um miúdo da formação. De tão evidente que é o futebol de elite que lhe corre nas veias — as bancadas reconhecem-lhe a personalidade de um craque.

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Um central que faz saltar a multidão das cadeiras! E não é isso que queremos para o espetáculo que deve ser o futebol?!

Taticamente, é um jogador que incomoda os que gostam de “meninos bem-comportados”. Compreendo a falta de paciência de alguns treinadores para tanto tormento. Dentro de campo ele é elétrico, provocador, às vezes até arrogante. Mas é precisamente essa atitude que falta ao futebol português domesticado.

Quaresma joga com raiva, com urgência, com a vontade de mostrar que não é inferior a ninguém. E, verdade seja dita, quando está concentrado, não é mesmo!

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Taticamente, evoluiu muito. Já não é o central impetuoso que saía à queima em cada ação de jogo. Com Amorim, aprendeu a temporizar, a ler melhor o jogo, a jogar na linha de três com critério e segurança. Mas o que mais o distingue é a qualidade com bola: saída limpa, passe vertical com intenção e à pressão do adversário, responde com confiança para sair a jogar em condução. A defender? Eficiência nos duelos, antecipações limpas e uma muito saudável agressividade.

Para o Sporting é já um ativo seguro e precioso.

Para nós, que aqui escrevemos, é exatamente este o tipo de talento que devemos promover e proteger e sobre o qual dá gosto escrever e elogiar.

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Por Nuno Félix
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