Nuno Félix
Nuno Félix Scout internacional

"Et pluribus... Nuno"

Ora, queriam melhor exemplo de como a acomulação de funções, ou o serviço a duas entidades com interesses comitantes, é absolutamente incompatível e, mais cedo que tarde, dá maus resultados?!

Obrigado Dr. Nuno Magalhães por deixar tudo mais claro, e de forma mais gratuita e espontânea, seria impossível.

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Pode alguém ser um alto responsável de uma instituição desportiva às segundas, terças e quartas, e às quintas, sextas e sábados ganhar a vida comentando publicamente o que se passa nesse clube?

Pode alguém dizer que como presidente da assembleia geral de uma instituição representa os melhores interesses dessa assembleia, quando presta um serviço a outra entidade, precisamente na sua qualidade de benfiquista, entidade essa que luta por audiências que só têm a ganhar com a polémica em torno do clube?!

Isto era como ir ao casino e jogar à roleta, de tanto andar à volta um dia saia mesmo.

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“E pluribus unum” — de muitos, um só.

Um lema nobre, digno de uma instituição centenária como o Sport Lisboa e Benfica.

Mas aos dias de hoje este lema não estará fora de moda?

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Os clubes são a expressão máxima da vida em sociedade. Maior do que os clubes só provavelmente o próprio Estado. Do que homens e mulheres podem construir juntos quando trabalham pelo coletivo. E assim é o futebol. Onze individualidades não fazem uma equipa, mas sócios desinteressadamente abnegados e equipas solidárias podem fazer um grande clube, como o fizeram as vitoriosas equipas do Benfica na década de 60 do século passado.

Mas não será este um purismo bacoco?!

Se lhe foi dada essa oportunidade... "deixem o Nuno trabalhar".

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Na AG une, e na comunicação social separa.

Na AG protege o Benfica, na comunicação social ataca o Benfica.

É a "livre iniciativa", e quem disser que isso prejudica o Benfica não é bom benfiquista. "É bom para o Benfica ter pessoas com vida para além do Benfica..."

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Et pluribus... Nuno, Et pluribus... Zé Manel, Et pluribus... Luís. Ou tantos outros.

Porque o problema não é um homem. O problema está na normalização da ideia de que há uns "sócios" mais importantes do que outros.

Um padrão português, onde os mesmos nomes se multiplicam em todos os lados do espelho: dirigem, comentam, influenciam, decidem, opinam, negociam — tudo ao mesmo tempo, sem pudor e quase sempre sem consequências.

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São os senhores de todas as cadeiras. De todos os palcos. De todas as verdades. Mesmo daquelas que são verdades hoje e mentiras amanhã. Ou daquelas onde manifestamente não percebem nada do que falam, como foram o caso das declarações a rasgar o Schjelderup.

Servem as instituições e servem-se das instituições que dizem amar.

E, no processo, arrastam-nas pela lama.

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Este é um exemplo.

O presidente da Mesa da Assembleia Geral da SAD do Benfica — cargo de alta responsabilidade e exigência institucional — aparece na televisão, em horário nobre, a criticar um jogador com contrato em vigor com a SAD que representa.

Como se estivesse no café.

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Como se não fosse ele próprio co-responsável pela estabilidade do balneário e pela valorização dos ativos da empresa que dirige.

Isto não é só impróprio.

É insustentável.

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É incompatível com qualquer ética de governação — desportiva ou empresarial.

Mas se ao menos o Benfica fosse caso único...

Tudo ao mesmo tempo. Tudo "normal".

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Até se tornar escândalo — ou ser varrido para debaixo do tapete.

O que choca nem é tanto a capacidade de manobra desta gente e a sua praxis.

O que choca é a naturalidade com que acontece.

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É a ausência de escrutínio.

É o silêncio cúmplice de quem devia indignar-se — mas prefere relativizar, desculpar ou até apoiar...

Não pode ser normal acumular funções que se anulam entre si.

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Não pode ser normal representar uma SAD ao mesmo tempo que se desvaloriza os seus ativos em direto.

Não pode ser normal querer governar uma instituição ou um país enquanto se fatura com quem direta ou indiretamente depende do seu governo.

Não pode ser normal querer estar em todas!

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E os clubes, os governos, as instituições… apodrecem por dentro mas à vista de todos e com a conivencia da maioria.

Por isso, hoje não escrevo contra um nome.

Escrevo contra uma cultura de promiscuidade institucional.

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Por Nuno Félix
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