Diego Reyes: 'Fuerza Mexico' (parte 2) - ou 'Pau-de-virar-tripas' na versão portuguesa
Foram duas épocas de ausência sem saudade.
Diego Reyes chegou a Portugal com 20 anos. À época, foi o central mais caro do nosso futebol - 7 milhões de euros em 2014 - mas nunca se afirmou junto do tribunal das Antas que sobrevive no Estádio do Dragão.
Curiosamente, ou talvez não, veio do mesmo CF América onde já jogavam Miguel Layún e... Raúl Jiménez. Boas safras as de 2013/2014 por aqueles lados e grandes negócios com os europeus do costume.
De nada interessa agora ao caso que, aquando da sua transferência, entidades independentes não avaliassem o seu passe em mais do que 1,5 milhões de dólares. A verdade é que o FC Porto fez o seu trabalho de scouting, tanto no clube como na seleção, e o resto são engenharias financeiras próprias de um grande clube europeu que quer comprar num mercado tão difícil como o mexicano.
Voltando ao que verdadeiramente interessa, o potencial estava lá todo: era alto, muito rápido, com excelente receção de bola e aquele controle de cabeça levantada... aos 20 anos era tão bom! Não fosse o potencial de disparate associado a tudo o que rodeou a sua aquisição e que lhe atribuiu a pressão acrescida de justificar o investimento... E, claro está, a mudança de continente e de futebol é sempre mais exigente para os jogadores que trabalham a linha do fora-de-jogo. Juntemos uma pitada da ingenuidade própria de quem que se quer mostrar e... uma noite em que a sua falta de 'corpo' foi para além do evidente.
Retornou ao Olival para jogar pela B (tinha afinal apenas 21 anos) mas mergulhou na desmotivação própria de um jogador de seleção A que se vê obrigado a pisar no ervado da Tapadinha.
E muito trabalhou o central de 1,89 metros, que chegou a Portugal com menos de 70 Kgs de peso!
Em tempo recorde ganhou mais de 9 quilos em massa muscular. No entanto, Lopetegui queria resultados imediatos e não estava na disposição de investir no relançamento de um jogador que então já era muito diferente daquele que tinha aterrado no Sá Carneiro um ano antes.
Vê-lo triunfar, primeiro na Real Sociedad (o FC Porto não aceitou vender a totalidade do passe aos bascos por 11 milhões de euros) e no ano seguinte no Espanyol, foi para mim um bálsamo de fé. Poucos jogadores me haviam gerado tanta expectativa e a gorado com semelhante eficácia. Um ano antes Reyes simplesmente não estava preparado, e ele terá sido um dos responsáveis pela má experiencia de Paulo Fonseca no Dragão.
Em La Liga as suas exibições eram então mais do que convincentes, o seu biótipo era agora outro, em momentos parecia até aquele 'centralão' que puxa do físico mesmo quando tal não é absolutamente necessário, mas quando o vemos a tratar a bola percebemos que está ali algo de muito diverso de um 'centralão' como Felipe. Sem desmerecer o brasileiro, que tem belíssimas bases com bola, nos pés de Diego ela flui de outra maneira, ou melhor, o seu caminho é o caminho que o jogador quer seguir e não outro, a bola fica mais inteligente.
Só quem nunca viu Reyes jogar a 6, como trinco assumido, pode ter dúvidas sobre o que de mais este jogador pode oferecer a uma defesa de equipa grande.
Resolvida a sua renovação com FC Porto, ainda vai a tempo de demonstrar que já nada tem a ver com aranhiço que passou vergonhas vestido de azul e branco.
Diego é um central com muito futebol e Sérgio Conceição pode agora tirar pleno partido deste ex-pau-de-virar-tripas.
